Motociclistas concentraram 67% das mortes no trânsito urbano de Campinas

Falta de habilitação e ausência de capacete lideram causas analisadas pela Emdec; dois adolescentes morreram pilotando motos em abril.

Por Moara Semeghini - Campinas

Motociclistas respondem por 67% das mortes em vias urbanas de Campinas, aponta Emdec

Os motociclistas concentraram 67% das mortes registradas no trânsito urbano de Campinas no primeiro quadrimestre de 2026. Das 12 vítimas fatais contabilizadas entre janeiro e abril, oito eram condutores de motos, segundo balanço divulgado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).

Apesar da redução de 45% no número total de mortes no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, de 22 para 12 óbitos, os dados acendem alerta para comportamentos de risco que continuam presentes nas vias da cidade, especialmente para os motociclistas. As informações são do Boletim Informativo de Óbitos no Trânsito, divulgado pela Emdec. O balanço considera como vítima fatal aquelas que falecem em até 30 dias após o sinistro (acidente).

Entre os fatores analisados nos acidentes fatais, dirigir sem habilitação e pilotar sem capacete aparecem como as principais causas identificadas pela Emdec. Cada uma delas esteve presente em dois dos seis casos analisados pela empresa neste balanço. 

Segundo o levantamento, até meados de maio a Emdec havia registrado 337 infrações relacionadas à falta de habilitação e outras 146 por condução de motocicleta sem capacete ou transporte de passageiro sem o equipamento de segurança.

Um mesmo caso fatal pode ter mais de um fator de risco envolvido. Veja o ranking:

Falta de habilitação: 2 casos (33%).
Falta de capacete: 2 casos (33%).
Álcool na direção / velocidade / direção perigosa / evitabilidade / comportamento do pedestre / violência urbana: 1 caso cada (17%).

Atropelamentos

Os atropelamentos aparecem como a segunda principal causa de mortes no trânsito urbano de Campinas. Quatro pedestres morreram entre janeiro e abril, o equivalente a 33% das vítimas fatais.
No período, a cidade não registrou mortes de ciclistas nem de ocupantes de outros tipos de veículos nas vias urbanas.

Considerando também as rodovias que cortam Campinas, foram registradas 22 mortes no trânsito no primeiro quadrimestre do ano, redução de 35% em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo a Emdec, ações de fiscalização, educação no trânsito, campanhas de conscientização e reforço da sinalização contribuíram para a queda nos índices de mortalidade.

Maioria das mortes em abril ocorreu aos finais de semana e à noite

Até agora, o mês de abril foi o que mais computou mortes no trânsito em 2026. Foram dez em vias urbanas e rodovias, sendo oito na malha urbana – 88% (sete) eram motociclistas e 12% (1) eram pedestres. A maioria dessas ocorrências fatais ocorreu às sextas-feiras e aos sábados, no período entre 21h e 6h.

Dois dos motociclistas mortos eram adolescentes de 16 e 17 anos

Dos sete motociclistas mortos em vias urbanas em abril, dois eram menores de idade - 16 e 17 anos. Um dos casos aconteceu na avenida John Boyd Dunlop, onde foi registrada a primeira morte da via em 2026.

Outro envolveu um motociclista sem capacete que realizava manobras perigosas no bairro Itatinga, entrou na contramão e bateu de frente com um ônibus.

Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas - Motociclistas respondem por 67% das mortes em vias urbanas de Campinas, aponta Emdec