Febre maculosa tem letalidade de 49,7% em Campinas; município teve 100% de mortes em 2025

Por Moara Semeghini - Campinas

Campinas registra 1ª morte por febre maculosa em 2026 e alerta sobre período de maior risco

A confirmação da primeira morte por febre maculosa em Campinas em 2026 elevou para 49,7% a taxa de letalidade da doença no município. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, desde 2007, foram registrados 167 casos confirmados, com 83 mortes.

As informações constam no Painel Interativo da Febre Maculosa Brasileira – Monitoramento de Dados em Campinas. O levantamento mostra ainda que, em 2025, os seis casos confirmados da doença na cidade evoluíram para óbito, resultando em taxa de letalidade de 100% no período.

A vítima registrada neste ano é um homem de 74 anos, morador da região do Campo Grande. Segundo a prefeitura, os primeiros sintomas apareceram em 15 de abril. Ele foi atendido em um hospital público, mas morreu no dia 21 do mesmo mês.

Questionada sobre os fatores que podem ter contribuído para o município registrar 100% de letalidade entre os casos confirmados da doença em 2025, a Secretaria de Saúde de Campinas informou ao Correio da Manhã que parte dos pacientes com febre maculosa procura atendimento médico tardiamente, o que dificulta a reversão do quadro mesmo com tratamento adequado. 

A Secretaria também destacou que, em outros casos, os pacientes procuram atendimento em tempo oportuno, mas o diagnóstico inicial pode não apontar para febre maculosa, já que o quadro clínico é inespecífico e pode ser confundido com outras doenças. Por isso, segundo a pasta, é fundamental que profissionais de saúde investiguem a hipótese e que pacientes relatem possíveis exposições de risco nas duas semanas anteriores ao início dos sintomas.

Sobre a possibilidade de subnotificação da doença no município, a Secretaria informou que a febre maculosa é de notificação obrigatória, devendo ser comunicada às autoridades de saúde já na suspeita do caso.

A pasta também confirmou que há situações em que a doença só é identificada após o óbito do paciente. Segundo a resposta, em casos de evolução rápida para morte, o diagnóstico pode ser concluído apenas posteriormente, no chamado exame post mortem.

Questionada sobre o nível de conhecimento da população a respeito dos sintomas, riscos e formas de prevenção, a Secretaria afirmou que realiza ações educativas de forma contínua. Entre as iniciativas estão palestras, oficinas, visitas orientativas a imóveis, capacitações de profissionais de saúde e atividades de sensibilização junto à população.

A Prefeitura também informou que identifica e sinaliza áreas de risco com placas de alerta sobre a presença do carrapato transmissor da doença, além de manter ações de orientação em locais estratégicos do município.