Visita de Lula reforça importância da ciência
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Campinas nesta segunda-feira (18) ultrapassa o simbolismo político e representa um gesto estratégico para o futuro do país. Em um cenário internacional marcado pela disputa tecnológica, pelas crises climáticas e pelos desafios na saúde pública, investir em ciência e inovação deixou de ser apenas uma escolha administrativa: tornou-se uma questão de soberania nacional.
A inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), reforça a importância de consolidar o Brasil como produtor de conhecimento de alta complexidade. O Sirius não é apenas um equipamento científico de ponta. Trata-se de uma das infraestruturas mais avançadas do mundo, capaz de colocar pesquisadores brasileiros em condições de competir internacionalmente em áreas estratégicas como saúde, agricultura, nanotecnologia, energia e desenvolvimento de novos materiais.
Durante décadas, o Brasil conviveu com ciclos de descontinuidade em políticas científicas. Cortes de verbas, desvalorização da pesquisa e fuga de cérebros comprometeram projetos importantes e fizeram o país perder competitividade internacional. Ao mesmo tempo, países que compreenderam o valor da ciência ampliaram investimentos em universidades, laboratórios e inovação tecnológica, transformando conhecimento em desenvolvimento econômico e influência geopolítica.
O Sirius simboliza justamente o caminho oposto ao atraso. O fato de até 90% de seus componentes terem sido desenvolvidos ou produzidos no Brasil demonstra que investir em pesquisa movimenta cadeias produtivas, fortalece a engenharia nacional e cria empregos altamente qualificados. Ciência não é gasto: é investimento capaz de gerar retorno econômico, tecnológico e social.
A pandemia de Covid-19 evidenciou o quanto países dependem da capacidade de produzir vacinas, diagnósticos e tecnologias médicas. Nesse contexto, o lançamento da Pedra Fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde surge como iniciativa relevante para ampliar a autonomia brasileira em áreas estratégicas do Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo dependências externas e estimulando soluções nacionais.
Também não é coincidência que Campinas tenha se consolidado como um dos principais polos científicos e tecnológicos do país. A presença de universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia demonstra como conhecimento e desenvolvimento caminham juntos. Regiões que investem em educação, ciência e inovação tendem a gerar riqueza, melhorar indicadores sociais e ampliar oportunidades para a população.
Num mundo cada vez mais orientado pela tecnologia, negligenciar a ciência significa condenar o país à dependência. Valorizar pesquisadores, financiar universidades e fortalecer estruturas de pesquisa são passos essenciais para que o Brasil deixe de ser apenas consumidor de tecnologia e passe a ocupar posição de protagonismo global.