Filme gravado na Academia Campinense de Letras será exibido no Festival de Cannes
Neste mês de maio, em que a Academia Campinense de Letras (ACL) comemora 70 anos de fundação, o filme brasileiro Deixe-me Viver, que teve a cena de um júri gravada no salão principal da instituição, será exibido na 79ª edição do Festival de Cannes, na França. A exibição do longa-metragem está marcada para as 14h30, no Palais C, no dia 20, inserindo a produção nacional no mercado internacional de cinema.
Dirigido por Walther Neto e protagonizado por Mônica Carvalho, que também assina o roteiro junto com Michele Muniz e Marcelo Corrêa, narra a história de Julia, interpretada por Cat Dantas, uma jovem que interrompe o tratamento de um câncer terminal para viver os últimos dias com a mãe, Andrea, papel de Mônica Carvalho.
O elenco é integrado por Humberto Martins, que interpreta o pai da jovem, além de Roberta Rodrigues, Luciana Vendramini, Oscar Magrini, Daniela Albuquerque, Stephano Strand, Jeniffer Setti e Fernanda Arraes. A produção é da Yva Filmes em coprodução com a WN Produções.
Concerto
Para homenagear ao aniversário da academia, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas fará um concerto no dia 23 de maio, às 20h, na Sala de Espetáculos Luís Otávio Burnier, no Centro de Convivência Cultural, no Cambuí. A apresentação ocorre sob a regência do maestro Julio Medaglia e conta com a participação da soprano Marília Carvalho, reunindo no programa composições de Carlos Gomes e Beethoven, além da obra Requinta Maluca, de autoria do próprio regente.
A entrada é gratuita, e os ingressos devem ser retirados antecipadamente por meio da plataforma Sympla. O calendário de comemorações inclui também um almoço no dia 29 de maio, direcionado a acadêmicos e convidados.
Trajetória
A trajetória da Academia Campinense de Letras teve início em 17 de maio de 1956 por iniciativa do professor de Língua Portuguesa Francisco Ribeiro Sampaio, que lecionava no Colégio Culto à Ciência e na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Como Sampaio exercia o cargo de titular da Secretaria Municipal de Cultura, as dez reuniões iniciais da entidade ocorreram em salas da prefeitura.
A adoção do termo Campinense decorreu de uma orientação gramatical do professor, que indicava que o sufixo 'ense' aponta o local de nascimento, ao passo que o sufixo 'eiro' se refere a ocupações de trabalho. Baseada no modelo da Academia Brasileira de Letras, a entidade possui 40 cadeiras vitalícias, em que cada uma conta com um patrono.
A sede localiza-se na Rua Marechal Deodoro, 525, no Centro, em um terreno cujos materiais para a obra foram destinados em 1974 pelo prefeito Lauro Péricles Gonçalves. A construção foi executada pelo engenheiro Lix da Cunha, e a inauguração ocorreu em 16 de maio de 1976.
A arquitetura segue o estilo de templos gregos e apresenta a figura de uma Fênix na fachada, abrigando um salão de 200 metros² com bustos de Camões e do fundador Francisco Sampaio, além da Galeria de Artes Lélio Coluccini, instalada em 1995.
A academia realiza sessões, saraus, rodas de prosa, lançamentos de livros, concursos e recitais, servindo também de abrigo para entidades como a Academia Campinense Maçônica de Letras, o Centro de Poesia e Artes de Campinas e a Casa do Poeta.
Já os membros possui formações em áreas como Direito, História, Antropologia, Medicina e Diplomacia, e a gestão atual sucede administrações de ex-presidentes como o historiador Jorge Alves de Lima.
“A Academia Campinense de Letras completa 70 anos preservando a cultura e a literatura campineira. Ao longo desses anos, vem incrementando um trabalho em favor da cultura de Campinas. Quando eu fui presidente, de 2019 a 2024, foi que ela abriu as portas para as crianças pobres da periferia, para que elas pudessem assistir às reuniões solenes”, lembra o historiador.
Enquanto presidente, Alves de Lima representou o Brasil, Portugal e os países de língua portuguesa no Prêmio Luis de Camões. "Foi um acontecimento notável porque rompeu o predomínio do eixo Rio-São Paulo, cujas academias, a Brasileira de Letras e a Paulista de Letras, detinham a prerrogativa histórica de indicar o representante do Brasil na comissão. E, pela primeira vez, Campinas obteve esse reconhecimento, conferindo projeção internacional à Academia Campinense de Letras".