Governo de SP desapropria áreas para obras do Trem Intercidades

Por Redação

Imagem ilustrativa de como será a estação do Trem Intercidades em Campinas

O governo de São Paulo autorizou a desapropriação de 31 áreas entre Jundiaí e Campinas para viabilizar obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte e do Trem Intermetropolitano (TIM). A medida representa mais um passo para a adaptação do atual corredor ferroviário, que será compartilhado pelos novos serviços de passageiros e pelos trens de carga.

A autorização consta na resolução SPI nº 048, publicada em 17 de abril no Diário Oficial do Estado. O documento declara de utilidade pública terrenos que somam 37.338,29 metros quadrados, distribuídos também nos municípios de Vinhedo e Valinhos.

As áreas serão desapropriadas pela concessionária responsável pelo projeto, a TIC Trens. Segundo o governo estadual, as intervenções fazem parte da estrutura necessária para a implantação e operação dos novos serviços ferroviários.

Embora a resolução não detalhe endereços específicos, indicando apenas coordenadas geográficas e referências por quilometragem da ferrovia, a distribuição dos lotes permite identificar os principais pontos de intervenção ao longo do traçado.

Obras começam com avanço inicial discreto

As obras do Trem Intercidades já foram iniciadas e completaram a primeira semana com avanço ainda concentrado nas etapas iniciais. Imagens divulgadas pela concessionária TIC Trens mostram os primeiros movimentos nos canteiros, com registros aéreos feitos por drone.

Neste momento, as frentes de trabalho estão concentradas principalmente na região de Vinhedo, com atividades como instalação de canteiros, preparação do solo, terraplenagem, contenções e implantação de estruturas de apoio. Também estão previstas intervenções como a construção de passagem inferior para veículos e a remoção de interferências ao longo do traçado.

Apesar do início das obras, os avanços ainda são pouco perceptíveis no terreno, o que é esperado para essa fase inicial. A tendência é que as intervenções ganhem maior visibilidade nos próximos meses, à medida que novas frentes de trabalho forem abertas.

Projeto envolve bilhões em investimentos

Considerado um dos principais projetos de mobilidade em andamento no estado, o Trem Intercidades é resultado de articulação entre diferentes esferas de governo e inclui financiamento público e privado.

No âmbito federal, o projeto integra o Novo PAC e conta com recursos do BNDES, que já aprovou cerca de R$ 6,4 bilhões para o empreendimento. Em agenda recente em Araraquara (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do anúncio de novos investimentos, incluindo mais R$ 3,2 bilhões destinados ao TIC Eixo Norte.

Já no plano estadual, o investimento previsto é de aproximadamente R$ 9,5 bilhões dentro do modelo de concessão, que inclui a participação da iniciativa privada. A concessão foi vencida por um consórcio que reúne empresas nacionais e estrangeiras, incluindo a chinesa CRRC, responsável pela fabricação dos trens.

Ligação entre Campinas e capital

O Trem Intercidades terá cerca de 101 quilômetros de extensão e deve reduzir o tempo de viagem entre Campinas e São Paulo para pouco mais de uma hora. O sistema contará com serviço expresso e também operações com paradas ao longo do eixo, ampliando a oferta de transporte regional.

A expectativa é de que o projeto beneficie diretamente 11 municípios e atenda centenas de milhares de passageiros por dia, criando uma alternativa ao transporte rodoviário, atualmente marcado por congestionamentos frequentes.

Próximas etapas

Além das obras em andamento, estudos técnicos avaliam a implantação de uma via adicional exclusiva para trens expressos, o que pode aumentar a capacidade do sistema e reduzir interferências com outros serviços ferroviários.

Inserido em um plano mais amplo de expansão da malha ferroviária paulista, o Trem Intercidades é apontado pelo governo como uma iniciativa estratégica para retomar o transporte de passageiros sobre trilhos em média velocidade no país.

A previsão é que o avanço das obras se torne mais visível nas próximas fases, acompanhando a evolução das intervenções ao longo do trajeto entre o interior e a capital.