Anvisa descarta emergência de saúde após furto de vírus na Unicamp

Por Redação

PF investiga furto de materiais no Instituto de Biologia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária descartou, até o momento, risco de emergência em saúde pública decorrente do furto de pelo menos 24 cepas de vírus de um laboratório de nível de biossegurança 3 (NB-3), o segundo mais alto, da Universidade Estadual de Campinas. O caso é investigado pela Polícia Federal sob sigilo.

Em nota, a Anvisa informou que, embora não seja responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica, técnicos da agência analisaram as informações disponíveis e não identificaram, até agora, indícios de uma situação emergencial. “Não foi constatada, com base nos dados atuais, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”, afirmou o órgão.

A agência também confirmou que participou das ações de busca pelas amostras, a pedido da Polícia Federal, na última semana. Por causa do sigilo do inquérito, no entanto, não há detalhes sobre o andamento das investigações.

Segundo a Polícia Federal, os principais suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. A corporação descartou a hipótese de terrorismo biológico e aponta que a motivação do crime estaria relacionada a pesquisas internas do casal.

Parte das amostras já foi recuperada em unidades da própria universidade, como a FEA e o Instituto de Biologia (IB), onde funciona o Laboratório de Virologia, local de onde os vírus foram levados inicialmente. De acordo com apuração do programa Fantástico, após buscas realizadas em sua residência, a professora teria retornado à universidade e descartado parte do material biológico para tentar eliminar evidências.

Entre as cepas furtadas estavam vírus como dengue, Zika, chikungunya, Epstein-Barr, herpes e coronavírus, incluindo patógenos que infectam humanos e animais. O portal g1 apurou que também foram levadas amostras dos vírus da gripe H1N1 e H3N9.

Apesar da gravidade do episódio, a avaliação atual das autoridades sanitárias é de que não há, até o momento, risco iminente à saúde da população. As investigações seguem em andamento.