Alta no combustível já é sentida e abusos são investigados
Governo federal pede investigação de alta mesmo sem ter tido ajuste da Petrobras
O cenário de instabilidade no Oriente Médio, intensificado desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já provoca impactos diretos na economia de Campinas, com reflexos imediatos nos preços praticados pelos postos de combustíveis. O fechamento do Estreito de Ormuz pressiona o mercado por constituir rota marítima principal para o transporte de petróleo mundial oriundo do Oriente Médio, onde se situam produtores de grande porte.
A interrupção da passagem amplia o temor quanto à redução da oferta global da commodity e gera impactos nos produtos derivados. Embora a Petrobras não tenha anunciado novos reajustes nas refinarias desde 26 de janeiro, o mercado local tem registrado elevações diárias. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Recap) emitiu um alerta sobre a situação, classificando o momento como de alta volatilidade e imprevisibilidade para o setor.
Valores em Campinas
Os postos campineiros apresentam reajustes nos preços com o diesel atingindo o valor de R$ 6,69 o litro após aumentos que variaram entre R$ 0,30 e R$ 0,70, dependendo do estabelecimento, enquanto a gasolina é comercializada por valores entre R$ 6,29 e R$ 6,59 e o etanol é encontrado com preços entre R$ 4,49 e R$ 4,59, refletindo uma alta de R$ 0,10 por litro para esses dois últimos produtos em comparação aos períodos anteriores.
A guerra elevou a cotação do barril de petróleo tipo Brent a patamares superiores a US$ 117, pressionando os custos de importação. De acordo com o Recap, as distribuidoras estão atualizando os custos diariamente e repassando os valores para os postos, o que justiça o aumento sentido pelo consumidor campineiro mesmo sem uma alteração oficial na base da estatal. O diesel é apontado como o combustível mais afetado até o momento, seguido de perto pela gasolina.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) corroboram a tendência de alta. Entre o nal de fevereiro e nos primeiros dias de março, o preço médio da gasolina no país subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30, enquanto o diesel saltou de R$ 6,03 para R$ 6,08. Em Campinas, a percepção de aumento é ainda mais aguda, com relatos de reajustes que ocorrem sucessivamente ao longo da semana.
O governo federal iniciou investigações para verificar se as distribuidoras estão utilizando o conflito internacional como pretexto para taxar preços de forma abusiva. A preocupação estende-se ao setor produtivo, especialmente ao agronegócio, onde o diesel representa cerca de 40% dos custos operacionais.
Crime contra a economia popular
O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou em pronunciamento na Câmara Federal que tem recebido denúncias sobre aumentos irregulares. “Tenho recebido muitas denúncias sobre reajustes de combustíveis absolutamente irregulares, tanto de óleo diesel como de gasolina, com a justificativa da guerra no Oriente Médio. Até agora, pelo que tenho conhecimento, a Petrobras não reajustou um único centavo. Então, está se tratando aí de crime contra a economia popular”, afirmou o deputado.
Segundo Zarattini, é necessário que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensifique a fiscalização, além de ações do governo federal para coibir abusos.
O parlamentar relatou reclamações de agricultores do Rio Grande do Sul sobre falta de diesel e de caminhoneiros que apontam aumentos em postos. Em São Paulo, segundo ele, há estabelecimentos cobrando até R$ 9 pelo litro da gasolina, valor muito acima da média nacional.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na mesma ocasião que o governo federal tem atuado para combater práticas abusivas no setor e reforçou a atuação de órgãos de fiscalização. “O deputado Zarattini foi muito feliz em dizer que nós temos que continuar tomando essas medidas de fiscalização pela ANP, pelos Procons, e nós combatemos como nenhum outro governo não só o cartel de combustível, como o crime organizado na área de combustível no Brasil”, declarou. Silveira disse que o governo federal tem acionado órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para monitorar possíveis irregularidades no mercado. Segundo ele, a orientação do presidente Lula é reagir com firmeza diante de especulações prejudiciais à economia.