Reforma tributária preocupa 60% das indústrias de Campinas (SP) em cenário de quedas na produção, nas vendas e nos lucros
60% das indústrias da região de Campinas (SP) estão preocupadas com a Reforma Tributária, segundo a Pesquisa de Sondagem Industrial de fevereiro realizada pela regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).
A pesquisa também indica queda da capacidade produtiva instalada das empresas e retrações nas vendas, nos investimentos e nos lucros das organizações. O montante de produção caiu de 35% em fevereiro, comparado com o mês anterior. Já a receita declinou 55%, e o lucro ficou 45% menor.
“Juntamente com a Reforma Tributária, esses indicadores corroboram para um momento bastante turbulento no dia a dia das indústrias. Percebemos que o Brasil precisa de um impacto de empreendedorismo, de um círculo virtuoso, e não de um círculo vicioso, como o que vivemos. Precisa mudar essa postura, porque as empresas que geram riqueza e empregos estão sendo penalizadas por isso", afirma o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa.
Para o primeiro vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, também diretor do Departamento Jurídico da entidade, a preocupação com a Reforma Tributária para 60% das associadas (incluindo as que se consideram ‘parcialmente adequadas” e as ‘não adequadas’) é motivo de preocupação para a indústria regional, nessa fase de testes.
“Estamos preocupados porque a partir de 1º de abril poderão ocorrer multas para aquelas que não se adequarem a essa nova legislação”, declara.
Já o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, afirma que as recentes mudanças na taxação do comércio exterior, determinadas pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, possivelmente irão beneficiar as exportações brasileiras - não podem ser consideradas definitivas, porque ainda estão previstas mudanças.
Dados
No acumulado de 2025 as exportações somaram US$ 3,593 bilhões representando alta de 3,17%, enquanto as importações atingiram US$ 14,331 bilhões com avanço de 17,22%.
O mês de janeiro de 2026 indicou retração nas operações internacionais da região em comparação ao mesmo mês de 2025. O valor exportado foi de US$ 246 milhões com queda de 3,13%, e as importações totalizaram US$ 897,9 milhões, recuando 11,23%.
O déficit mensal fixou-se em US$ 651 milhões com redução de 13,95%, e a corrente de comércio somou US$ 1,143 bilhão, apresentando queda de 9,60%.
Campinas lidera
No recorte geográfico de janeiro de 2026, Campinas liderou as exportações com 37,39%, seguida por Paulínia com 16,38%, Mogi Guaçu com 9,52%, Sumaré com 8,68% e Valinhos com 5%.
Nas importações, Campinas também ocupou a primeira posição com 29,93%, seguida por Paulínia com 27,18%, Jaguariúna com 10,51%, Sumaré com 9,43% e Hortolândia com 9,33%.
Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações regionais com US$ 54,54 milhões, representando 22,17% do total, seguidos pela Argentina com US$ 26,96 milhões (10,96%) e México com US$ 14,22 milhões (5,78%).
Nas origens das importações, a China liderou com US$ 258,21 milhões correspondendo a 28,76%, seguida pelos Estados Unidos com US$ 134,53 milhões, totalizando 14,98%, e pela Índia, com US$ 64,77 milhões, somando 7,21%.
Ciesp-Campinas
A regional conta com 590 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região, com faturamento conjunto de R$ 53 bilhões ao ano. Conjuntamente, empregam 97.954 colaboradores.