Estado afirma que licitação do Hospital Metropolitano será publicada em breve; projeto assistencial passa por revisão

Por Moara Semeghini - Campinas

Área doada pela Prefeitura ao governo estadual abriga o CAPS AD Sudoeste, em Campinas

A construção do Hospital Metropolitano de Campinas segue em fase preparatória e ainda depende da publicação do edital de licitação para o início das obras. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o documento será divulgado “em breve”, enquanto o projeto assistencial da unidade passa por revisão técnica.

Em nota encaminhada nesta segunda-feira (23) ao Correio da Manhã, a pasta informou que o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas trabalha na etapa final de ajustes do projeto.

“O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas informa que a publicação da licitação para construção do Hospital Metropolitano de Campinas será publicada em breve. No momento, o projeto assistencial está em fase de revisão, considerando as necessidades da região, com foco principalmente em atendimentos de alta complexidade, como neurologia, ortopedia, oncologia, entre outras”, diz o texto.

No início de fevereiro, em entrevista à Rádio CBN Campinas, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a abertura da licitação estava prevista para o segundo semestre.

Com a licitação ainda pendente de publicação e o projeto assistencial em revisão, o empreendimento já registra atraso nas etapas iniciais do cronograma. A previsão anterior do governo estadual era de colocar a unidade em funcionamento em até 24 meses após o início das obras.

Anúncio e abrangência regional

A construção do Hospital Metropolitano foi confirmada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no dia 7 de junho deste ano. A proposta é que a unidade atenda à demanda da Região Metropolitana de Campinas (RMC), do Circuito das Águas e das regiões de Bragança Paulista e Jundiaí, totalizando 42 municípios.

À época do anúncio, a secretária executiva estadual de Saúde, Priscilla Perdicaris, afirmou que a expectativa do governo é colocar o hospital em funcionamento em até 24 meses após o início das obras.

“A ideia é que a gente tenha essa unidade funcionando em 24 meses. Nós já estamos trabalhando no planejamento fino desse projeto, no projeto executivo, e a ideia é licitar já nesse segundo semestre”, declarou na ocasião.

Com a revisão do projeto assistencial ainda em curso e a licitação pendente de publicação, o cronograma dependerá da conclusão dessas etapas administrativas.

Doação do terreno

A área onde o hospital será construído foi oficialmente doada pelo município ao Estado em 22 de dezembro, após aprovação de lei pela Câmara Municipal e sanção do prefeito Dário Saadi.

O terreno, com cerca de 35 mil metros quadrados, fica entre a Avenida Prefeito Faria Lima e as ruas Pastor Cícero Canuto de Lima e Francisco de Assis Iglésias. No local funcionava a antiga Coordenadoria Departamental de Veículos Leves (CDVL), transferida para o Jardim Novo Campos Elíseos.

A legislação municipal condiciona a doação a dois encargos por parte do Estado: a construção efetiva do hospital na área e a formalização da cessão de uso ao município do imóvel onde atualmente funciona o Caps AD Sudoeste. Todas as despesas relativas à doação são de responsabilidade estadual.

Estrutura prevista

O projeto técnico apresentado pelo Estado ao Conselho de Desenvolvimento da RMC prevê uma estrutura de alta complexidade com cerca de 400 leitos. A previsão é de 300 leitos de internação (clínica médica e cirúrgica) e 60 leitos de terapia intensiva, incluindo UTI adulto, pediátrica e voltada a pacientes com obesidade.

O centro cirúrgico deverá contar com oito salas preparadas para procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas, oncológicas e bariátricas.

A unidade também terá 18 consultórios ambulatoriais, Hospital Dia e áreas de reabilitação pós-cirúrgica. O Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) incluirá exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia, além de radioterapia com dois aceleradores lineares e uma unidade de quimioterapia.

Para atendimento de urgência, estão previstos dois prontos-atendimentos especializados: um em oncologia e outro para demais patologias, ambos com leitos de observação e salas para pacientes críticos.

O hospital será implantado ao lado do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e próximo a uma rede já existente na cidade, que inclui o Hospital Municipal Mário Gatti, a unidade pediátrica Mário Gattinho, o Centro de Referência de Diagnóstico em Oncologia (CDO) e o Caps AD Sudoeste.

Próximos passos

Com a confirmação de que o projeto assistencial ainda passa por revisão e sem data definida para publicação do edital, o avanço do Hospital Metropolitano depende agora da formalização da licitação.

A Secretaria de Estado da Saúde afirma que o edital será divulgado “em breve”, mas não especificou prazo. A partir da publicação, o processo seguirá para a fase de concorrência pública, definição da empresa vencedora e assinatura do contrato para início das obras.