Campinas (SP) enfrenta alagamentos crônicos e falta de cronograma para obras de drenagem no Taquaral

Por Raquel Valli

Equipe da Secretaria de Serviços Públicos limpeza área que sofreu alagamento

Apesar de 21 veículos terem ficado submersos esta semana na região do ex-kartódromo do Taquaral em Campinas (SP), a situação não é novidade no município, que conta com pontos de alagamentos crônicos, onde, inclusive, pessoas morrem. Neste sentido, o Correio da Manhã questionou a Prefeitura a respeito de soluções resolutivas para o problema, que assola a cidade há décadas.

Em resposta, a Prefeitura informou que “está finalizando um estudo técnico para um projeto de ampliação da drenagem na região do antigo kartódromo” e que “o objetivo é aumentar a captação e o escoamento das águas das chuvas, com a implantação de uma rede auxiliar à existente, para reforçar a infraestrutura e contribuir para a redução de alagamento na área”.

Ainda de acordo com o Executivo, “a análise leva em conta séries históricas de chuvas e o comportamento do sistema ao longo das últimas décadas, fundamental para definir o dimensionamento adequado da nova estrutura e garantir maior eficiência no escoamento. Após a conclusão do estudo técnico, será elaborado o projeto executivo e a busca por recursos. A estimativa preliminar aponta que o investimento pode chegar a cerca de R$ 25 milhões”.

Informa também que “a rede de drenagem na região é antiga, com cerca de 60 anos, quando o entorno era menos urbanizado e o solo mais permeável. Com o crescimento urbano e a expansão de áreas asfaltadas e edificadas, a capacidade de drenagem diminuiu".

O Palácio dos Jequitibás, entretanto, não informou o cronograma do estudo, nem tampouco a data prevista para que seja apresentado. Também não precisou onde pretende buscar a verba e como pretende fazê-lo.

Para o mestre em Planejamento Urbano, Ayrton Camargo e Silva, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, e ex-servidor da Prefeitura, “qualquer ação do poder público que não tem prazo definido é bla bla bla”.

De acordo com o urbanista, a necessidade central neste caso reside no conhecimento do plano de drenagem da cidade, que deve ser elaborado com base nas bacias hidrológicas existentes para compor o plano de macrodrenagem urbana. 

Isso porque à medida que a urbanização avança torna-se fundamental a instalação de galerias de águas pluviais sob o pavimento, além de bueiros e bocas de lobo nas sarjetas para o escoamento adequado. O dimensionamento dessas estruturas precisa considerar o regime hídrico atual marcado por mudanças climáticas, que resultam em chuvas torrenciais e no aumento da impermeabilização do solo, ensina Camargo e Silva.

Ainda segundo o professor, é preciso compatibilizar o controle das áreas de declividade que direcionam o fluxo para os fundos de vale, mantendo as margens dos rios desimpedidas para suportar transbordamentos em épocas de cheia.

A presença de vegetação também é indispensável para a absorção do excesso de água, assim como a manutenção de áreas permeáveis em regiões de maior solicitação pluviométrica, onde a drenagem convencional possa ser insuficiente.

Camargo e Silva pontua que o planejamento deve integrar o conhecimento do regime hídrico com políticas de arborização e garantia de permeabilidade do solo urbano e que a infraestrutura instalada exige a obrigação de manter bueiros e galerias limpos, pois o acúmulo de lixo impede o funcionamento do sistema e causa alagamentos.

Dessa forma a abordagem inicial do problema deve focar no estado do plano de drenagem e macrodrenagem, além da eficácia do cronograma de manutenção e limpeza das galerias existentes.

Quanto à limpeza de bueiros e córregos, a Prefeitura afirma que “faz um trabalho permanente de limpeza de 46 córregos e a limpeza e a desobstrução de bueiros e galerias pluviais, cerca de 800 por mês, para garantir a passagem livre para o fluxo de água”.

Ressalta que é “Importante que a população não jogue lixo e entulho no chão, que são levados pelas chuvas, entopem as bocas de lobo e os leitos dos córregos e impedem o fluxo da água”.

Informa ainda que “o cidadão pode solicitar a limpeza de bueiros por meio do canal 156 cujas canais de atendimento estão disponíveis pela internet