Lucas Pinheiro, filho de campineira, conquista a 1ª medalha do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno; e é ouro

O Brasil fez história na neve. Pela primeira vez, o País subiu ao pódio dos Jogos Olímpicos de Inverno, e no lugar mais alto.

Por Moara Semeghini - Campinas

Lucas Pinheiro Braathen, filho de campineira, no pódio olímpico de Milão-Cortina 2026

O Brasil fez história na neve. Pela primeira vez, o País subiu ao pódio dos Jogos Olímpicos de Inverno, e no lugar mais alto. Lucas Pinheiro Braathen, conquistou a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno neste sábado (14). E logo a dourada. O esquiador venceu a prova do slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina e escreveu o nome do Brasil na história, que foi escrita em Bormio, cidade nos Alpes italianos, próxima à divisa com a Suíça.

Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas Pinheiro é filho de mãe brasileira, natural de Campinas, e pai norueguês. Dois anos após optar por defender o Brasil, ele conquistou o inédito ouro no esqui alpino e colocou o país entre os medalhistas da competição. Lucas costumava passar férias em São Paulo e Campinas, com a família materna.

“Todas as vezes que eu viajava para o Brasil, visitando minha família, eu sempre queria trazer a cultura brasileira pra casa na Noruega. Sou muito feliz por ter esses dois lados. Acho que tem coisas muito legais da cultura da Noruega e do Brasil. Eu quero virar um produto das qualidades das duas”.

Slalom gigante

A prova do slalom gigante é disputada em duas descidas por um traçado marcado por mastros fixados na neve, as chamadas “portas”, posicionados a cerca de 25 metros de distância entre si. O atleta precisa contornar corretamente cada uma delas. Ao final, vence quem registrar o menor tempo somado nas duas etapas.

Lucas completou o percurso com o tempo total de 2min25s, terminando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, medalhista de prata. O bronze ficou com outro representante da Suíça, Loic Meillard.

Lucas garantiu vantagem já na primeira descida, quando marcou 1min13s92 e assumiu a liderança. Na segunda passagem, registrou 1min11s08, apenas o 11º melhor tempo da etapa, mas o desempenho foi suficiente para manter a dianteira e assegurar o ouro diante dos dois suíços.

Trajetória

Aos 25 anos, Lucas competiu pela Noruega até 2023, quando anunciou que deixaria as pistas. Antes disso, representou o país na Olimpíada de Inverno de Pequim, em 2022, mas não conseguiu concluir as provas que disputou.

Em 2024, reconsiderou a decisão de se aposentar e iniciou o processo para defender o Brasil, país de origem de sua mãe. No ano seguinte, passou oficialmente a competir com as cores brasileiras e acumulou resultados expressivos na Copa do Mundo de esqui alpino, trajetória que culminou no ouro inédito conquistado em Bormio.

Até então, o melhor desempenho do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, nos Jogos de Turim, há duas décadas.

Também participou da prova deste sábado Giovanni Ongaro, nascido em Clusone, na Itália, e igualmente filho de mãe brasileira. Ele encerrou a disputa na 31ª colocação, com o tempo total de 2min34s15.

Brasil nos Jogos

A medalha de ouro pode não ser a única conquista brasileira em Milão-Cortina.

Na segunda-feira (16), às 6h (horário de Brasília), será disputado o slalom, modalidade semelhante ao gigante, mas com portas posicionadas a uma distância menor — cerca de 13 metros —, o que exige mudanças de direção mais rápidas.

Além de Lucas e Giovanni, o Brasil terá ainda a participação do carioca Chrisitan Soevik, também filho de pai norueguês e mãe brasileira.

Com informações da Agência Brasil