Saguis perdem árvores em obra da SP-324 e buscam comida em comércios às margens da rodovia

Por Por Raquel Valli

Sangui na porta de estabelecimento alimentício às margens da rodovia

Saguis que viviam em árvores ao longo da Rodovia Engenheiro Miguel Melhado Campos (SP- 324), que liga Valinhos ao Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas (SP), estão aparecendo em comércios na estrada depois que os espécimes arbóreos foram cortados para a duplicação da via.

Além disso, protetores de animais estão preocupados com a quantidade de macaquinhos vistos, número infinitamente menor aos avistados quando os bichinhos viviam em bandos, nas árvores. Outra preocupação é a de que os saguis têm aparecido em comércios alimentícios, atrás de comida.

“Obviamente que o impacto tá dado. A obra cruzou uma área, que agora os animais não têm mais como atravessar, no sentido Mata Atlântica - Cerrado. É lastimável. É um absurdo uma obra dessa envergadura não prever passagem de fauna, não prever manejo de fauna, é algo absurdo, a gente sabe do impacto disso”, afirma o presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema), Tiago Lira.

“É lastimável a situação da Bacia do Capivari Mirim em todos os aspectos, e essa obra da Miguel Melhado é mais uma para liquidar com a fauna, infelizmente. É um absurdo. O Estado define prioridades para as pessoas muito ricas, no caso esse megacondomínio entre Vinhedo e Louveira, que é para isso que foi feita essa rodovia”, complementa.

A Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp) enviou um ofício à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) solicitando o cumprimento das exigências ambientais previstas em lei, ou seja, a implementação do plano de manejo. Pontua a necessidade de procedimentos claros para resgatar os animais a fim de garantir a preservação da biodiversidade local.

Solicita esclarecimentos - sobre as diretrizes da agência ambiental - para assegurar que todas as atividades estejam em conformidade com a legislação e com as exigências técnicas para a proteção do ecossistema afetado, tais como: identificação das espécies, metodologias de translocação para áreas seguras, além do monitoramento pós-resgate. O texto reforça a importância de minimizar os impactos ambientais e de promover a recuperação da área.

Outro lado

O Correio da Manhã entrou em contato com a Cetesb, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta acerca dos questionamentos feitos pelos ambientalistas.

Sem licença

As obras da rodovia foram finalizadas na primeira semana de janeiro, segundo o Departamento de Estradas e Rodagem de São Paulo (DER-SP) - responsável pela duplicação, que durou 3 anos e 4 meses. Entretanto, a estrada ainda não pôde ser liberada justamente porque o DER-SP ainda não obteve a licença da Cetesb (devido a pendências no licenciamento ambiental). A liberação da rodovia está atrelada a esse documento.

Proesp

A ONG é a entidade ambientalista mais antiga de Campinas e a segunda mais antiga do Brasil. “É devido à luta da Sociedade que áreas como o Bosque dos Jequitibás, a Mata Santa Genebra, o Bosque dos Guarantãs, Bosque dos italianos, entre tantas outras, foram preservadas”, declara Lira.