Câmara arquiva cassação de Otto, mas suspende mandato por 45 dias
A Câmara Municipal de Campinas decidiu, na noite desta quarta-feira (4), arquivar o pedido de cassação do mandato do vereador Otto Alejandro (PL), mas aprovou a suspensão temporária do parlamentar por 45 dias, sem salário, por infração ética e disciplinar.
O relatório da Comissão Processante (CP), que recomendava o arquivamento da denúncia, foi aprovado por maioria simples. Dos 33 vereadores, 30 estiveram presentes e três se ausentaram da votação. Apenas sete parlamentares votaram contra: Débora Palermo (PL), Gustavo Petta (PCdoB), Paolla Miguel (PT), Guida Calixto (PT), Wagner Romão (PT), Fernanda Souto (PSOL) e Mariana Conti (PSOL). Já o Projeto de Resolução apresentado pela Corregedoria, que previa a suspensão do mandato, também foi aprovado pelo plenário. Parlamentares da oposição tentaram ampliar o afastamento para 90 dias, mas a proposta mantida foi de 45 dias.
Já o Projeto de Resolução apresentado pela Corregedoria, que previa a suspensão do mandato, também foi aprovado pelo plenário. Parlamentares da oposição tentaram ampliar o afastamento para 90 dias, mas a proposta mantida foi de 45 dias.
A investigação interna apontou quebra de decoro parlamentar e condutas consideradas incompatíveis com o exercício do cargo. A Corregedoria havia defendido a punição administrativa, enquanto a Comissão Processante recomendou encerrar o processo sem cassação, o que evidenciou divergência dentro da Casa.
“Subo a esta tribuna com serenidade e respeito a esta Casa. Não há qualquer processo criminal ou acusação formal contra mim. Sempre estive à disposição para prestar esclarecimentos e sigo com a consciência tranquila. Respeito a decisão do plenário, inclusive a suspensão, mas reafirmo minha inocência e meu compromisso com os mais de 7 mil eleitores que confiaram no meu trabalho”, afirmou Otto Alejandro.
“A Comissão Processante precisava continuar porque estávamos na fase de ouvir depoimentos e esclarecer os fatos. Há episódios graves que ainda precisam ser apurados, como a agressão à trabalhadora do condomínio e os relatos de violência doméstica. Não dá para encerrar sem investigar”, afirmou a vereadora Mariana Conti (PSOL). “A violência contra a mulher é uma realidade no País. Nesta semana tivemos mais um caso brutal de feminicídio. Quando a Câmara arquiva um processo como esse, passa uma mensagem perigosa de tolerância com esse tipo de conduta. Isso precisa ser tratado com seriedade.”
Denúncias
O vereador é investigado pela Polícia Civil por violência doméstica, ameaça, injúria e dano após denúncia da ex-companheira registrada na Delegacia de Defesa da Mulher. O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens em que ele aparece intimidando uma funcionária de um condomínio. Também há relatos de confusão e agressões envolvendo o parlamentar em um ônibus no Centro de Campinas.
As apurações criminais seguem na Justiça, independentemente das medidas adotadas pela Câmara.
Com a decisão, Otto permanece no cargo, mas ficará afastado das atividades legislativas por 45 dias.
