Vereador cobra explicações sobre falta de medicamentos nos CS e Prefeitura diz que estoque está regularizando
A falta de medicamentos em Centros de Saúde de Campinas, registrada nas últimas semanas e alvo de denúncias da população, voltou ao debate na Câmara Municipal. O vereador Rodrigo Farmadic (União) apresentou um requerimento à Prefeitura cobrando explicações detalhadas sobre o abastecimento da rede pública de saúde, após a mudança do almoxarifado municipal responsável pelo armazenamento e distribuição dos insumos.
Segundo o parlamentar, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) relataram falhas recorrentes no fornecimento de medicamentos em diversas unidades, incluindo remédios essenciais e de uso contínuo. A situação, de acordo com Farmadic, compromete a continuidade de tratamentos — especialmente de pacientes com doenças crônicas — e coloca em risco a saúde da população.
No requerimento encaminhado ao Executivo, o vereador destaca que a própria Secretaria Municipal de Saúde reconheceu impactos na distribuição durante a transição logística entre o antigo e o novo almoxarifado. “Cabe ao Legislativo exercer seu papel fiscalizador sempre que houver indícios de prejuízo direto à população, especialmente em áreas sensíveis como a saúde pública”, afirma no documento.
Entre os esclarecimentos solicitados estão a previsão oficial para a normalização completa do abastecimento em todas as unidades da rede municipal, com cronograma e etapas definidas; as medidas emergenciais e corretivas adotadas para minimizar os impactos da mudança; além da relação atualizada dos medicamentos em falta, com indicação das unidades afetadas e prazos de reposição. O vereador também questiona se houve prejuízos aos atendimentos, sobretudo no tratamento de pacientes crônicos, e quais providências foram adotadas nesses casos. Após aprovação em plenário, o requerimento será encaminhado à Prefeitura, que deverá responder dentro do prazo regimental.
A cobrança ocorre em um contexto de crise no abastecimento de medicamentos que já motivou outras ações no Legislativo e fora dele. O vereador Wagner Romão (PT) entrou com uma representação no Ministério Público, pedindo apuração sobre o desabastecimento e sobre a logística adotada pela Prefeitura após a terceirização do almoxarifado da Saúde. Entre os pontos levantados estão denúncias de que medicamentos estariam estocados no centro de distribuição, mas não chegariam às farmácias dos Centros de Saúde, além do uso de ambulâncias e veículos destinados ao transporte de pacientes para a entrega de insumos — prática que, segundo o parlamentar, indica falhas no planejamento do contrato.
Reportagens publicadas ao longo de janeiro mostraram a falta de medicamentos como losartana, dipirona e insulina em unidades da rede municipal, com relatos de Centros de Saúde que ficaram mais de 30 dias sem determinados remédios. Mesmo após entregas emergenciais, entidades como o Movimento Popular de Saúde de Campinas afirmam que a escassez de medicamentos e insumos básicos ainda persiste.
Em resposta às cobranças, a Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que a transição para o novo centro de distribuição segue um cronograma técnico planejado para garantir a segurança das operações. Segundo a administração, as entregas foram retomadas de forma gradual: imunobiológicos desde 5 de janeiro, insulinas a partir de 19 de janeiro e, desde 2 de fevereiro, o início do sistema completo de entregas regulares, semanais, extraordinárias e emergenciais.
A Secretaria afirma que trabalha diariamente na reposição dos itens da cesta dos Centros de Saúde e que o estoque do centro de distribuição conta atualmente com mais de 96% dos medicamentos. A gestão reconhece faltas temporárias em algumas unidades, mas atribui o problema ao período de transição do antigo para o novo almoxarifado, iniciado em dezembro. Desde então, segundo a Prefeitura, foram realizadas reposições de medicamentos de uso crônico, antibióticos e insumos das áreas de odontologia e enfermagem.
O novo centro de distribuição, localizado na Vila San Martin, possui 3,7 mil metros quadrados e é equipado com tecnologia de rastreabilidade em tempo real, rede de frio com redundância operacional e monitoramento por câmeras, atendendo às exigências da legislação sanitária. A Secretaria de Saúde afirma que permanece responsável pelo planejamento, aquisições, controle e fiscalização do contrato, enquanto a empresa terceirizada executa as operações logísticas.
Durante o período de transição, a Prefeitura orienta que a população pode retirar medicamentos e receber vacinas em qualquer Centro de Saúde do município, independentemente do bairro de residência. A consulta de disponibilidade por unidade está disponível no site oficial da administração municipal.