TIC entre São Paulo e Campinas avalia via expressa e pode receber aditivo de R$ 2,5 bi; Estado segue ampliando malha ferroviária

Por Moara Semeghini - Campinas

A concessionária TIC Trens, que venceu o contrato para operar o Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, ligando a capital paulista a Campinas e que integra a Linha 7-Rubi da CPTM, está propondo uma ampliação no projeto original que foi licitado em 2024

O projeto do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que conectará a capital paulista a Campinas, está em nova fase de discussão entre a concessionária e o Governo de São Paulo, com potencial impacto significativo na mobilidade regional.

Segundo reportagem publicada hoje pelo Valor Econômico, a operadora responsável pela concessão do serviço, a TIC Trens, está estudando a construção de uma via adicional exclusiva para viagens expressas entre São Paulo e Campinas. A proposta, que prevê a duplicação do trecho para separar o tráfego expresso da operação convencional, está sendo desenhada em detalhes e deve ser apresentada ao governo ainda neste ano. A concessionária estima que o custo dessa ampliação possa chegar a cerca de R$ 2,5 bilhões, montante que seria incluído no contrato por meio de um aditivo.

“O edital já previa essa possibilidade de duplicação da via, com um custo limitado. Estamos refinando o projeto detalhado e pretendemos submetê-lo à aprovação ainda em 2026”, afirmou um executivo da TIC Trens à reportagem.

O Trem Intercidades Eixo Norte é parte do maior programa de expansão ferroviária já planejado no Estado de São Paulo, o SP nos Trilhos, que reúne dezenas de projetos de infraestrutura metroferroviária voltados a integrar a capital com regiões metropolitanas e cidades do interior. Parte desse plano já está em execução, com investimentos superiores a R$ 28,5 bilhões aplicados em obras que incluem a modernização da Linha 7-Rubi, além da implantação dos serviços expresso e do Trem Intermetropolitano (TIM).

Segundo o Governo estadual, os recursos contratados ou em fase de execução dentro do SP nos Trilhos chegam a cerca de R$ 190 bilhões, com mais de 1 000 km de novas linhas e expansões planejadas. O programa também engloba o reforço de outras linhas metropolitanas, construção de Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e intervenções em infraestrutura que visam melhorar a mobilidade urbana e regional.

O trecho entre São Paulo e Campinas terá cerca de 101 km de extensão, com expectativa de reduzir o tempo de viagem para pouco mais de uma hora no serviço expresso, e integra três regiões metropolitanas. A concessão para operar o TIC Eixo Norte foi vencida pelo consórcio formado pela Comporte e a chinesa CRRC, que também assumiu a gestão da Linha 7-Rubi da CPTM por 30 anos.

A análise de uma linha adicional exclusiva, se aprovada, pode reforçar ainda mais a atratividade do projeto para usuários e ampliar a confiabilidade do serviço, ao reduzir possíveis interferências entre trens rápidos e os de paradas intermediárias.

BNDES anunciou crédito de R$ 10,65 bilhões para obras de mobilidade em SP

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmou, em novembro de 2024, com o estado de São Paulo e com a prefeitura da capital paulista quatro contratos de financiamento para obras de infraestrutura e mobilidade, no total de R$ 10,65 bilhões. As ações integram o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e envolvem a expansão do metrô, compra de ônibus elétricos, execução de trecho do Rodoanel e as obras para o novo trem intercidades que vai conectar São Paulo a Campinas.

Novas vias

Com o estado de São Paulo, o BNDES assinou contrato para extensão da Linha 2 Verde do Metrô, que atualmente liga a Vila Madalena à Vila Prudente e será prolongada por 8,2 quilômetros. A linha ganha oito novas estações até o bairro da Penha, onde haverá integrações com a Linha 3 (Vermelha) e a Linha 11 (Coral). A extensão vai exigir a necessidade de 44 novos trens.

O investimento total é de R$ 6 bilhões, com R$ 3,6 bilhões para os trens e R$ 2,4 bilhões na obra civil. O financiamento do BNDES ao governo paulista refere-se aos trens e garante que sejam produzidos pela indústria nacional. O projeto tem previsão de conclusão até dezembro de 2028 e vai atender 1,2 milhão de pessoas diariamente.

Intercidades

O contrato com o estado prevê, ainda, o trem intercidades, que vai conectar São Paulo a Campinas, numa intervenção que deve beneficiar 11 municípios e 15 milhões de pessoas. O investimento total é de R$ 14,5 bilhões, com R$ 6,4 bilhões de financiamento do BNDES para apoiar o aporte do governo de São Paulo no Eixo Norte da obra. O financiamento foi dividido em duas etapas, sendo a etapa atual, assinada hoje, no valor de R$ 3,2 bilhões. A segunda etapa, de mesmo valor, será assinada em 2025.

O trem de média velocidade atinge até 140 quilômetros por hora. O serviço expresso entre as duas cidades terá 101 quilômetros de extensão, com serviços paradores entre Francisco Morato e Jundiaí e conexões com os trens intermetropolitanos e a linha 7-Rubi do metrô de São Paulo.

Já o Rodoanel Mário Covas interliga as 12 rodovias que cortam a Região Metropolitana de São Paulo, facilitando o tráfego, especialmente de caminhões, e melhorando o acesso ao porto de Santos. Em março de 2023 foi realizado o leilão da parceria público-privada do trecho norte do Rodoanel, que deverá desviar o tráfego de cerca de 30 mil caminhões e 54 mil automóveis da Marginal Tietê por dia. O investimento total é de R$ 3,4 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões destinados à finalização. O financiamento do BNDES é de R$ 1,35 bilhão.