Unicamp é nota máxima em exame nacional de medicina; PUC Campinas tem conceito 4 e São Leopoldo Mandic fica entre as piores avaliações
A Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp recebeu conceito 5 na primeira edição do Enamed, figurando entre os 49 cursos do País
O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, na última segunda-feira (19), a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, aplicado a 351 cursos de medicina em todo o País. A avaliação, conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é uma modalidade do Enade específica para a área médica e permite que o desempenho dos estudantes seja utilizado também nos processos seletivos de programas de residência médica.
Em Campinas, os resultados evidenciam um forte contraste entre as instituições. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) obteve conceito máximo (nota 5) e foi a única da cidade a alcançar o mais alto nível de proficiência; a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) ficou com conceito 4, considerado satisfatório; já o curso da Faculdade São Leopoldo Mandic, no campus Campinas, recebeu conceito 2, classificação considerada insatisfatória pelo MEC. Em Mogi Guaçu, a unidade da Faculdade Municipal Professor Franco Montoro ficou com nota 1, a mais baixa da avaliação.
Dos cursos avaliados no país, cerca de 30% apresentaram desempenho insatisfatório, ou seja, menos de 60% dos estudantes foram considerados proficientes, o que acende um alerta sobre a qualidade da formação médica em parte das instituições brasileiras.
Unicamp é a única de Campinas com nota máxima
A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp recebeu conceito 5 na primeira edição do Enamed, figurando entre os 49 cursos do País, o equivalente a 13,6% do total, que alcançaram a nota máxima. Para obter esse resultado, o percentual de alunos considerados proficientes precisou ser igual ou superior a 90%.
Segundo a pró-reitora de Graduação da Unicamp, Mônica Cotta, o desempenho reflete um esforço coletivo da universidade e de todo o seu complexo de saúde, que tem papel central no atendimento da Região Metropolitana de Campinas. Ela destaca que a instituição investe continuamente em inovação, infraestrutura e atualização do ensino médico, com foco na medicina do futuro.
O diretor da FCM, Cláudio Coy, avalia que o resultado é fruto de um investimento de longo prazo na qualidade da formação, envolvendo gestão, docentes, funcionários e estudantes. Entre os diferenciais apontados estão a ampliação dos laboratórios de simulação, a capacitação docente constante e uma reforma curricular em curso, que inclui disciplinas como Medicina Digital e a ampliação do internato para três anos, fazendo com que os alunos tenham atividades práticas durante metade do curso.
A prova do Enamed contou com 100 questões de múltipla escolha e foi aplicada em outubro de 2025. Ao todo, mais de 89 mil estudantes e profissionais de medicina participaram do exame em todo o país.
PUC Campinas alcança conceito 4
A Pontifícia Universidade Católica de Campinas obteve conceito 4 no Enamed, desempenho considerado satisfatório pelo MEC e que coloca a instituição entre os cursos bem avaliados do país. O resultado indica que entre 75% e 89,9% dos estudantes avaliados atingiram o nível de proficiência esperado.
A nota consolida a PUC-Campinas como a segunda melhor avaliada da cidade e reforça a presença da instituição entre os cursos que atendem às Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação médica, segundo os parâmetros utilizados pelo Inep.
São Leopoldo Mandic tem desempenho insatisfatório em Campinas
Em sentido oposto, o curso de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, recebeu conceito 2 no Enamed 2025, o que significa que entre 40% e 59,9% dos estudantes foram considerados proficientes. A classificação é considerada insatisfatória pelo MEC e coloca o curso entre aqueles que podem sofrer medidas de supervisão.
Na região, a situação é ainda mais crítica no campus da Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, em Mogi Guaçu, que obteve conceito 1, a pior nota da avaliação, com menos de 40% de alunos proficientes.
A São Leopoldo Mandic informou, em nota, que identificou divergências entre as notas divulgadas publicamente e aquelas disponíveis às instituições no sistema e-MEC e afirmou que busca esclarecimentos junto ao Inep. Já a Faculdade Municipal de Mogi Guaçu alegou que parte dos estudantes não teria compreendido a importância institucional da prova, o que teria impactado o resultado final.
Cursos mal avaliados sofrerão sanções do MEC
Com a divulgação dos resultados, o MEC informou que 99 cursos de medicina pertencentes ao Sistema Federal de Ensino, que inclui universidades federais e instituições privadas, entrarão em processo de supervisão por apresentarem desempenho insatisfatório. As instituições públicas estaduais, distritais e municipais não passam por esse tipo de processo, pois são supervisionadas por conselhos e secretarias locais.
As sanções previstas são escalonadas e podem variar desde a redução do número de vagas até a suspensão da oferta de financiamento estudantil pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). De acordo com o MEC, quanto maior o risco ao interesse público, mais severas poderão ser as medidas adotadas.
Após a publicação oficial dos resultados no Diário Oficial da União, os cursos enquadrados nessa situação terão prazo de 30 dias para apresentar defesa. Caso as sanções sejam aplicadas, elas permanecerão válidas até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026.
Criado em abril de 2025, o Enamed é obrigatório para concluintes do curso de medicina e também pode ser utilizado como critério de acesso ao Exame Nacional de Residência Médica (Enare), reforçando seu papel como instrumento central de diagnóstico da formação médica no país.
Com informações do site unicamp.br, da Agência Brasil e do Ministério da Educação (MEC)
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