Prefeitura prevê R$ 190,2 mi para a mobilidade urbana
Aumento é de 23,1%, em comparação a 2025, aponta autarquia
Da Redação
O planejamento financeiro de Campinas para o transporte público em 2026 prevê o investimento de R$ 190,2 milhões no setor de mobilidade urbana. A administração municipal destinará R$ 172,2 milhões para garantir a circulação dos ônibus operados por concessionárias e cooperativas e reservará R$ 18 milhões para o atendimento do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI-Serviço).
A verba pública complementa a arrecadação obtida com as passagens para assegurar o funcionamento das linhas na cidade.
Os recursos estabelecidos para o próximo período representam um aumento de 23,1% em relação ao planejamento inicial de 2025.
No ano passado, a previsão começou em R$ 154,5 milhões, mas o gasto efetivo subiu para R$ 236,4 milhões, com novos aportes financeiros.
De acordo com a Emdec (empresa da Prefeitura responsável pelo trânsito campineiro), o subsídio é usado para financiar a criação de novas rotas, o aumento da frota em horários de pico, para cobrir gastos com manutenção mecânica e o pagamento de motoristas, além de sustentar as gratuidades e benefícios tarifários para passageiros que possuem direito ao transporte sem custo.
Mais caro que capitais
O sistema de transporte coletivo de Campinas iniciou 2026 sob novos custos operacionais e contestações judiciais. Desde o dia 1º de janeiro, o passageiro que utiliza o Bilhete Único Comum desembolsa R$ 6 reais por viagem, enquanto o Vale-Transporte subiu para 6,50 reais.
Os dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas confirmam que a estrutura tarifária mantém o benefício de duas horas para a utilização de até dois veículos, com gratuidade no primeiro transbordo e cobrança de 0,50 real no segundo.
O cenário local destoa da realidade de grandes centros urbanos do Brasil. Em São Paulo, o reajuste agendado para 6 de janeiro de 2026 fixou a passagem em R$ 5,30. No Rio de Janeiro, a tarifa unificada para ônibus e sistemas sobre trilhos passou a R$ 5 no dia 4. Em contrapartida, o Distrito Federal manteve o congelamento dos preços em toda a rede pública até o término de 2026.
Protesto
A majoração dos preços gerou impacto imediato na rotina de estudantes e trabalhadores da região. No dia 14, o Terminal Central serviu de palco para um ato liderado por alunos da Unicamp e de outras instituições locais. O protesto destacou a desproporção entre o valor cobrado e a renda média da população, além de comparar a infraestrutura de Campinas com capitais que praticam preços inferiores.
Questionamentos jurídicos
A legalidade do reajuste agora está sob análise do Ministério Público de São Paulo. Uma representação oficial, movida pela vereadora Mariana Conti e pela deputada federal Sâmia Bonfim, ambas do PSOL-SP, solicita a investigação sobre os critérios adotados para o aumento e o volume de recursos públicos destinados às empresas de transporte.
As parlamentares sustentam que os novos valores ignoram o índice inflacionário acumulado nos últimos doze meses.
A petição também alerta para o crescimento dos subsídios municipais injetados no setor ao longo de 2025 e busca verificar se houve prejuízo ao interesse público. Caso as inconsistências sejam comprovadas, o órgão poderá formalizar ações por improbidade administrativa contra os gestores responsáveis.
Gratuidades
As gratuidade previstas em legislação para idosos e pessoas com deficiência, além de estudantes, estão preservadas. Está mantida também a primeira integração sem custos pelo período de duas horas enquanto a segunda conexão permanece fixada em R$ 0,50.
Edital
O governo municipal iniciou o processo de licitação do sistema, que prevê contrato de R$ 11 bilhões por quinze anos com possibilidade de extensão do prazo.
O cronograma estabelece a recepção das propostas das empresas interessadas em 23 de fevereiro na sede da bolsa de valores de São Paulo.
O projeto de modernização exige a renovação da frota com foco na sustentabilidade ambiental através da inclusão imediata de sessenta veículos movidos a eletricidade.
O plano de metas inclui a integração total com o sistema BRT e investimentos em tecnologia de monitoramento e terminais sob a fiscalização da autarquia municipal de trânsito. A rede atual conta com 1.032 veículos distribuídos em 232 linhas para o transporte de 400 mil pessoas diariamente.
O edital contou com elaboração e revisão da Fipe entre 2021 e 2023 sob fiscalização do TCE-SP e MP-SP. Após publicação em 2022 e ajustes em 2023 para reduzir garantia contratual, a sessão de setembro não obteve ofertas. A licitação deserta forçou a prorrogação de contratos e o reinício do processo.
