CNPEM encerra 2025 com duas premiações da Embrapii

Pesquisadores Daniela Trivella e Alisson Cardoso receberam os troféus

Por Raphaela Cordeiro

Iniciativa voltada à descoberta de fármacos para doenças metabólicas a partir da biodiversidade e a pesquisadora Daniela Trivella recebem reconhecimentos

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) encerrou 2025 com dois importantes reconhecimentos concedidos pela Embrapii. A instituição foi premiada pela trajetória de uma de suas pesquisadoras e por um projeto inovador voltado ao desenvolvimento de novos fármacos a partir da biodiversidade brasileira.

Na última edição do Prêmio de Reconhecimento de Unidades Embrapii, a pesquisadora Daniela Trivella, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio/CNPEM), recebeu o título de Pesquisadora Destaque. Já o projeto Fitofármacos Cardiovasculares, desenvolvido pelo CNPEM em parceria com a startup NIntX, conquistou o segundo lugar na categoria Projeto Mais Inovador.

A premiação foi entregue durante a Conferência Anual das Unidades Embrapii, realizada em dezembro, em Brasília, reunindo cerca de 300 representantes de 90 unidades que integram a rede nacional de inovação industrial.

Esse não é o primeiro reconhecimento do CNPEM pela Embrapii. Em 2023, a instituição já havia sido premiada na primeira edição do Prêmio de Reconhecimento de Unidades Embrapii, quando o pesquisador Mário Tyago Murakami recebeu o título de Pesquisador de Destaque. O histórico reforça a consistência da atuação do CNPEM dentro da rede e a continuidade de resultados obtidos a partir da integração entre ciência de excelência e inovação industrial.

Pesquisadora Destaque

Bióloga com doutorado em Ciências Físicas Biomoleculares e pós-doutorado no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, Daniela Trivella atua na pesquisa de produtos naturais bioativos e moduladores alostéricos de proteínas com potencial farmacêutico. No CNPEM, lidera projetos que conectam ciência de ponta à aplicação prática, em colaboração com instituições acadêmicas e o setor produtivo.

O reconhecimento destaca sua contribuição para o avanço da pesquisa biomolecular no país, com impacto direto no desenvolvimento de soluções terapêuticas inovadoras. Nos últimos anos, a pesquisadora também tem ampliado parcerias estratégicas por meio da Unidade Embrapii CNPEM Biotecnologia, fortalecendo a transferência de conhecimento para a sociedade.

Projeto Mais Inovador

Conduzido pelos pesquisadores Alisson Campos Cardoso e Daniela Trivella, o projeto Fitofármacos Cardiovasculares teve início em 2022 e utiliza resultados de pesquisas internas do CNPEM para identificar e validar proteínas associadas a doenças metabólicas e cardiovasculares.

As moléculas analisadas são obtidas a partir de espécies da biodiversidade brasileira e avaliadas por meio da plataforma integrada de descoberta de fármacos do centro. Estudos estruturais em alta resolução, realizados na linha de luz Manacá, no acelerador Sirius, e no LNBio, permitem compreender como esses compostos interagem com proteínas-alvo, orientando etapas de otimização e desenvolvimento de novos medicamentos.

Nesta edição do prêmio, a Embrapii também ampliou a participação do público, abrindo votação geral para a escolha do Projeto Mais Inovador, o que reforçou a visibilidade da iniciativa.

A Unidade Embrapii CNPEM Biotecnologia reúne infraestrutura científica avançada e equipes especializadas em biotecnologia industrial e aplicada à saúde. Com atuação em plataformas biotecnológicas, bioprocessos, biomateriais, rotas de descoberta de medicamentos e diagnósticos, a unidade também integrou ações estratégicas da Rede Vírus/MCTI durante a pandemia de COVID-19.

O reconhecimento concedido ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) pela Embrapii reforça o papel estratégico da instituição no sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Mais do que um centro de pesquisa, o CNPEM atua como uma ponte entre o conhecimento científico de fronteira e a aplicação prática desse conhecimento em soluções para a sociedade e para o setor produtivo.

Instalado em Campinas, o CNPEM abriga infraestruturas científicas únicas no país, com destaque para o Sirius, maior e mais avançado acelerador de partículas da América Latina. A partir dele, pesquisadores brasileiros e estrangeiros conseguem investigar materiais, moléculas e sistemas biológicos em níveis de detalhe impossíveis de serem alcançados em laboratórios convencionais, o que acelera descobertas em áreas como saúde, energia, novos materiais e sustentabilidade.

No campo da biotecnologia e da saúde, os trabalhos conduzidos no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) exemplificam como a ciência de alto nível pode ser transformada em inovação. Projetos como o de Fitofármacos Cardiovasculares demonstram o potencial da biodiversidade brasileira quando associada a métodos avançados de análise estrutural, triagem molecular e desenvolvimento farmacêutico. Esse modelo reduz a distância entre a pesquisa básica e a geração de produtos com valor econômico e impacto social.

A atuação do CNPEM como Unidade Embrapii também amplia o diálogo com empresas, startups e indústrias, criando um ambiente favorável à inovação colaborativa. Ao compartilhar riscos e investimentos, esse arranjo permite que descobertas científicas avancem mais rapidamente para o mercado, fortalecendo a competitividade nacional e a soberania tecnológica do Brasil.