Viracopos negocia novas rotas internacionais

Aeroporto bateu novo recorde de passageiros no ano passado

Por Raquel Valli

Aeroporto bateu novo recorde de movimentação de passageiros, com 12,8 milhões embarcando ou desembarcando em 2025

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), administradora do Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas (SP), está negociando a implantação de novas rotas internacionais, tanto de passageiros quanto de cargas.

Para tanto, confirmou a sua presença na Routes World 2026, que será realizada de 27 a 29 de outubro, em Riade, na Arábia Saudita. Esta será a 31ª edição da feira, que reúne a comunidade global de desenvolvimento de rotas aéreas.

O evento é considerado pelo setor como um dos o mais estratégico eventos no tocante à aviação civil do mundo, conectando companhias aéreas, aeroportos, destinos e stakeholders. "Na ocasião, a concessionária vai apresentar projetos para conquistar novas rotas e parcerias", informa a ABV.

Ainda de acordo com a concessionária, Viracopos "busca novas rotas para países da América do Norte, América Central, Europa, Ásia e África, além de retomar conexões com países vizinhos na América do Sul".

Recordes

O aeroporto bateu novo recorde de movimentação de passageiros, com 12,8 milhões embarcando ou desembarcando pelo terminal no ano passado: 431 milhões a mais que em 2024, quando registrou 12,4 milhões (um crescimento de 3,47%).

O número exato, de 12.826.553, é o equivalente a 11 vezes a população de Campinas, que, de acordo com o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), datado de 2022, tem 1,2 milhão de habitantes. O recorde anual anterior havia sido atingido em 2023, com 12,5 milhões de passageiros.

Ainda segundo a ABV, antes do início da concessão, em 2011, o terminal registrou 7,6 milhões de passageiros e, em 2012, já sob concessão, 8,9 milhões.

Além disso, pela segunda vez na história do aeroporto, o terminal encerrou o ano com mais de 1 milhão de passageiros transportados em voos internacionais: 1.109.617, 29,21% a mais que em 2024, que registrou 858.767 passageiros.

O recorde anterior havia sido registrado em 2023, com 1.068.500 passageiros. Os pousos e decolagens também aumentaram em 2025, quando comparados a 2024: foram 124.613 no ano passado, ante 121.934 no ano anterior, uma alta de 2,20%.

Otimismo

Devido aos dados, a concessionária está otimista em relação a 2026. "A tendência é de continuidade no crescimento do movimento de passageiros internacionais", pontuou.

Em junho de 2025, abriu duas novas operações internacionais por meio da Azul Linhas Aéreas, que passou a oferecer voos diretos para Madri (Espanha) e Porto (Portugal). Além destes, possui voos para os Estados Unidos, em Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida; e para Lisboa, em Portugal. Todos de chegada e partida; além dos sazonais para Mendoza e Bariloche, ambos na Argentina.

Em outubro do ano passado, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) abriu uma mesa de negociação com a ABV para discutir o futuro da concessão do aeroporto.

O diálogo foi uma solicitação da empresa, que administra o terminal desde 2012 e manifestou o interesse de permanecer na gestão. A mediação foi aberta após uma audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília (DF) a pedido da deputada Adriana Ventura (Novo-SP).

"A concessão tem sido marcada por inadimplência contratual, judicializações sucessivas e falta de cumprimento das obrigações assumidas. Este imbróglio aumenta o prejuízo ao erário, que já é bilionário", afirmou a parlamentar na época. A concessionária, por sua vez, informou que pretendia retomada as negociações visando o reequilíbrio do contrato vigente, destacando que os valores dos reequilíbrios não reconhecidos pela Anac eram da ordem de R$ 4,5 bilhões.

Histórico

Em 2013, a ABV anunciou que pretendia investir cerca de R$ 9,5 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão para transformar Viracopos no maior e mais moderno aeroporto da América Latina. A primeira fase do plano, executada em 2014 com o aporte de R$ 3 bilhões, resultou em um novo e moderno terminal, mas a empresa não conseguiu atingir o desempenho financeiro esperado com a arrecadação.

Em 2017, quis devolver amigavelmente ao governo a concessão do aeroporto, sendo a primeira do país a pedir uma relicitação. No ano seguinte, com uma dívida de R$ 2,88 bilhões, pediu recuperação judicial a fim de reestruturar as próprias finanças e evitar a falência. O plano foi aprovado dois anos depois pelos credores (incluindo a Anac e o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Posteriormente, com a melhora nas finanças, a empresa pediu para encerrar o processo de relicitação. Mas, um acordo não foi alcançado, após tentativas de negociação e repactuação com o governo federal, mediadas pelo Tribunal de Contas da União.