Ponto de Cultura fortalece difusão de expressões de matriz africana em Campinas
Com atuação em dois espaços, iniciativa reúne acervo museológico, exposições, cursos e oficinas permanentes, ampliando o acesso à cultura afro-africana e afro-diaspórica na cidade
O Ponto de Cultura Espaço Arte Africana, em Campinas, atua em dois espaços distintos e funciona como um centro de difusão das culturas de matriz africana de origem bantu (diversas culturas, línguas e povos da África Central e Meridional que foram trazidos forçadamente para o Brasil pela escravidão). A iniciativa reúne acervo museológico, cursos, oficinas e atividades culturais permanentes, ampliando o acesso ao patrimônio cultural africano e afro-diaspórico. As visitas ao acervo acontecem de segunda a sábado, das 10h às 20h, exclusivamente mediante agendamento prévio. Informações e agendamentos podem ser obtidos pelo WhatsApp (19) 99969-7580.
O Espaço Arte Africana funciona como museu e abriga um acervo constituído por peças de povos originários africanos, adquiridas ao longo de viagens ao continente. Segundo o fundador, Carlos Kiss, a coleção representa a diversidade cultural da África, reunindo obras e objetos de povos como Akan, iorubá, Fulani, San, Zulu e Xhosa, entre outros. Atualmente, o museu recebe as exposições “Máscaras que Curam” e “África Gigante”, ambas com continuidade prevista para 2026. O agendamento prévio é obrigatório e permite visitas de até 50 pessoas por vez, contribuindo para a preservação do acervo e a qualidade da mediação cultural. Já no espaço do Jardim Chapadão, a grade inclui aulas de capoeira aos sábados, das 10h às 12h, e às quintas-feiras, das 19h às 22h; teatro negro às quartas-feiras, das 19h às 21h; dança aos sábados, das 14h às 18h, também com vagas esgotadas; e percussão aos sábados, das 14h às 16h.
O Ponto de Cultura, localizado no Jardim Chapadão, é voltado principalmente às atividades práticas, como aulas, oficinas e processos formativos. Para 2026, está prevista a realização de uma exposição temporária no local, composta por quadros do acervo do próprio Ponto de Cultura, incluindo itens originários de Moçambique e fotografias do continente africano. A mostra inaugural será "Sow e Tu", que reunirá fotografias e vídeos de Soweto, retratando o cotidiano e a histórica luta de resistência contra o regime do Apartheid na África do Sul.
O Ponto de Cultura mantém uma programação fixa de cursos nos dois espaços, com inscrições abertas para as turmas de 2026 e início das aulas previsto para 17 de janeiro. No espaço museológico, são oferecidas aulas de dança às segundas-feiras, das 19h30 às 22h, e aos sábados, das 14h às 18h, além de aulas de percussão às segundas-feiras, das 18h às 19h30, ambas com vagas esgotadas.
Além dos cursos, o Ponto de Cultura abriga o Grupo de Percussão Ancestral, o Grupo de Dança Negra e o coletivo “Pretas Leituras”, que se reúne no primeiro sábado de cada mês para a leitura e discussão de obras de autoras e autores negros.
Um sarau mensal também integra a programação e ocorre nos dois espaços, sempre às 18h. Nos dias 21 e 28 de novembro de 2025, por exemplo, foi realizado o Festival de Dança Negra, aberto ao público e ampliando o acesso às atividades culturais.
Para 2026, a organização planeja a realização de um intercâmbio cultural com a África do Sul e Moçambique, com foco no Intercâmbio Internacional de Dança Negra, que incluirá visitas a museus e comunidades locais, ampliando o diálogo entre África e diáspora. A maioria das atividades do Ponto de Cultura conta com apoio do PNAB/PROAC 2024, com recursos destinados à manutenção das exposições, à realização das ações culturais e à remuneração dos profissionais envolvidos.
