Como manter cães e gatos protegidos durante os dias de calor intenso
Veterinário orienta sobre hidratação, passeios e sinais de alerta
As temperaturas elevadas registradas nos últimos dias não prejudicam apenas os humanos. Cães e gatos também sofrem com o calor intenso e podem desenvolver desidratação, hipertermia e até choque térmico. O alerta é do veterinário campineiro Paulo Jorge, que reforça a importância de adaptar a rotina dos pets durante o verão.
Segundo ele, os animais têm mecanismos limitados de regulação térmica e, por isso, precisam de atenção redobrada. “A hidratação é fundamental, assim como respeitar os horários dos passeios e manter o ambiente bem arejado para favorecer a termorregulação”, explica. O veterinário recomenda ainda evitar brincadeiras intensas nos períodos mais quentes do dia para reduzir o risco de superaquecimento.
Água sempre disponível e em vários pontos da casa
A oferta contínua de água fresca e limpa é a principal forma de proteção. Os recipientes devem ficar em locais sombreados e, em dias muito quentes, a troca deve ser frequente. Para gatos, fontes ajudam a estimular o consumo. Cães podem receber petiscos congelados próprios para pets e até frutas batidas e congeladas — sempre com orientação veterinária e sem açúcar.
Ambiente arejado e cuidados com os passeios
Locais abafados e sem ventilação aumentam o estresse térmico. Ventiladores e climatização ajudam, mas não substituem a água. O veterinário orienta evitar superfícies quentes, como asfalto e cimento expostos ao sol, que podem causar queimaduras nas patas.
Os passeios devem ocorrer antes das 9h e após as 17h, com trajetos mais curtos e tranquilos. “Caminhar sob sol forte eleva o risco de hipertermia e de lesões nos coxins”, afirma Paulo Jorge. A orientação é sempre testar o chão com a mão: se estiver quente para o tutor, também estará para o animal.
Pelagem também protege
Ao contrário do que muitos imaginam, raspar totalmente os pelos não é recomendado. A pelagem ajuda na proteção térmica e contra a radiação solar. A escovação regular facilita a troca de calor. Banhos podem ajudar a refrescar, desde que moderados e com produtos adequados.
Sinais de alerta exigem atendimento imediato
O tutor deve procurar um veterinário com urgência se o animal apresentar: respiração ofegante intensa; salivação excessiva; língua muito avermelhada ou arroxeada; apatia ou desorientação; vômitos; dificuldade para se manter em pé. Alguns grupos exigem monitoramento ainda maior, como filhotes, idosos, animais com doenças crônicas e raças braquicefálicas como bulldogs, pugs e gatos persas, por exemplo. No caso dos cães, a pelagem também merece atenção nos dias quentes. Embora funcione como uma barreira de proteção térmica, o acúmulo de pelos pode contribuir para o aumento da temperatura corporal. Por isso, a recomendação é realizar tosa com um profissional, apenas para reduzir o volume e retirar o excesso, mas sem raspar totalmente. A remoção completa dos pelos expõe a pele ao sol forte e pode provocar queimaduras, lesões e até favorecer o desenvolvimento de câncer de pele.
Outras recomendações importantes
Jamais deixe o pet sozinho no carro, mesmo por poucos minutos: a temperatura interna pode subir rapidamente. Use protetor solar específico para pets em animais de pelagem clara ou curta, nas orelhas, focinho e barriga. Evite enforcadores e coleiras muito apertadas, que dificultam a respiração e favorecem a hipertermia. Em casa, tapetes gelados, ventiladores e brincadeiras com água ajudam no conforto térmico.
Vacinação e prevenção
O verão também aumenta o risco de doenças como leptospirose, dirofilariose (verme do coração) e leishmaniose. A recomendação é manter o calendário de vacinação em dia e utilizar preventivos contra pulgas, carrapatos e vermes sempre com orientação profissional.
Raças mais sensíveis ao calor
Casos de hipertermia são mais frequentes em animais de pequeno porte e braquicefálicos, como yorkshire, pinscher, shih-tzu, bulldog, american pit bull e bulldog francês. Entre os gatos, os persas estão entre os mais vulneráveis.
Para o veterinário Paulo Jorge, a prevenção é a melhor estratégia. “Adotar medidas simples no dia a dia preserva a saúde e a qualidade de vida dos animais. O importante é garantir hidratação, ambiente arejado e evitar exposição ao calor extremo”, resume.