Radar Meteorológico da RMC entra em operação na Unicamp
O equipamento é capaz de detectar eventos climáticos extremos, abrange um raio de cobertura de até 100km e fornecerá informações referentes ao clima que se somarão às disponibilizadas pelos municípios da Região Metropolitana de Campinas
Foi realizada nesta quarta-feira (3) a solenidade de lançamento do novo Radar Meteorológico de Campinas, que faz parte do Centro Regional de Meteorologia (CRMet), instalado no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. O equipamento é capaz de detectar eventos climáticos extremos, abrange um raio de cobertura de até 100km e fornecerá informações referentes ao clima que se somarão às disponibilizadas pelos municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).
De acordo com a meteorologista e pesquisadora Ana Ávila, do Cepagri, o equipamento já vem sendo usado pela Defesa Civil estadual há um ano. “A ferramenta disponível é um suporte para reduzir as incertezas agudas causadas pelos eventos severos e extremos, que vem aumentando muita frequência e intensidade”, explicou a meteorologista.
Segundo Ávila, a iniciativa é inédita no Brasil. “Um radar meteorológico que envolve a universidade, gestores, defesa civil, é uma situação inédita”, destacou. A expectativa, segundo Ávila, é que, em pouco tempo, todas as áreas de risco dos municípios da região metropolitana estejam integradas ao CRMet. De acordo com Ana Ávila, 11 dos 20 municípios da região já iniciaram o processo de integração com o sistema.
“A ferramenta vem para ajudar. O equipamento caro vai beneficiar muito e mitigar possíveis danos e perdas, pois será possível avisar as pessoas que moram em áreas de risco, por exemplo, a procurar abrigo seguro a tempo antes de uma tempestade”, disse Ávila.
O custo foi de aproximadamente de R$ 4,5 milhões, dos quais 3 milhões oriundos do Fundocamp - vinculado à Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) e 1,5 milhão financiado pela Unicamp. O novo radar conta também com a parceria do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas e da Defesa Civil.
“Já é possível ver a quantidade de chuva em cada município e visualizar as áreas de risco. Os pluviômetros nos mostram o volume de chuva em tempo real”, disse. Por meio de cores, o sistema identifica as chuvas como forte, moderada ou fraca. “A gente ainda precisa da informação de todos os municípios para fazer a construção e operacionalizar, mas, sim, já existe a base.”
O centro reunirá imagens, dados pluviométricos e informações da Defesa Civil de cada município da RMC com o intuito de monitorar a formação de eventos meteorológicos extremos, gerar alertas em tempo integral e manter o funcionamento da Rede de Alerta de Desastres. O CRMet também ficará integrado aos sistemas estadual e federal de monitoramento meteorológico.
Simulado
A realização do Simulado de Evento Severo marcou oficialmente o lançamento do novo radar. Durante a cerimônia, moradores das cidades da região receberam um alerta via sistema Cell Broadcast, uma mensagem em forma de teste. A emissão do alerta foi feita pelo Centro de Gerenciamento de Emergência do Estado de São Paulo, na capital paulista. Os 20 municípios que integram a RMC tiveram acesso às imagens por meio de uma senha entregue na cerimônia.
O secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel Henguel Ricardo Pereira, ressaltou a união entre estado e municípios que investem na prevenção. “Esse radar vai possibilitar prever eventos extremos como alagamentos e inundações. O governo de São Paulo está trabalhando principalmente para implementar ações de prevenção e impedir a ocorrência de óbitos.”
Rede de proteção
O radar de Campinas se soma a outros oito radares instalados no estado e que se complementam. Dessa forma, a análise das imagens de satélite aumenta a previsão de eventos climáticos na região. O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destacou que o radar representa um avanço para prevenir situações de risco. “A população precisa entender que os alertas são eficazes e sempre seguir as orientações que forem recebidas. O radar, certamente, irá ajudar a prever casos complexos como a micro explosão que atingiu Campinas em 2016.” A cerimônia contou ainda com a presença do reitor da Unicamp, Paulo César Montagner. A pesquisadora Ana Ávila do Cepagri explicou o funcionamento do novo radar.
O equipamento
A Agemcamp, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), adquiriu o radar meteorológico capaz de detectar eventos climáticos extremos.
Com varredura horizontal de 360° a cada 10 minutos, o radar permite monitoramento contínuo e emissão de alertas em tempo real, essenciais para antecipar riscos e orientar ações de mitigação. O sistema opera com tecnologia de dupla polarização, que diferencia tipos de partículas presentes nas nuvens, gotas de chuva, granizo, gelo e outras, aumentando a precisão na identificação e intensidade dos fenômenos meteorológicos.
Os dados produzidos serão integrados ao CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da Defesa Civil Estadual e ao CePRAM, ampliando a capacidade do Estado de reconhecer tempestades severas, prever impactos e acionar protocolos de segurança com antecedência.