Vestibular Unicamp: segunda fase traz temas sobre 'machosfera' e CLT
Questões da prova exigiram dos candidatos visãoz crítica e capacidade analítica
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) deu início, na manhã deste domingo (30), à segunda fase do Vestibular 2026. A abstenção geral foi de 7,9% (12.018 presentes e 1.028 ausentes), o que, conforme o diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), José Alves de Freitas Neto, representa uma estabilidade em relação ao ano passado (7,5%). Os candidatos concorrem a 2.530 vagas em 69 cursos de graduação. A segunda fase, composta por questões dissertativas, foi realizada em dois dias - domingo (30) e nesta segunda-feira (1º/12) -, com início às 9 horas.
A segunda fase foi aplicada em cidades de São Paulo (Bauru, Campinas, Guarulhos, Jundiaí, Limeira, Mogi Guaçu, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba), além de seis capitais: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador, segundo informações do site unicamp.br.
As provas
No primeiro dia, o conteúdo é comum a todos os candidatos, contendo Prova de Redação (com duas propostas de texto para escolha do candidato), Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa (seis questões) e Prova interdisciplinar (duas questões de Língua Inglesa e duas de Ciências da Natureza). O gabarito será divulgado na segunda-feira (8/12).
Na Prova de Redação, os candidatos puderam escolher entre escrever um depoimento pessoal sobre as comunidades em redes sociais chamadas de "machosfera", que incitam discursos de ódio e a violência contra mulheres, ou ainda uma nota de esclarecimento sobre o que é e a importância histórica da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), considerano o recente sentido pejorativo atribuído a "ser CLT".
Conforme Freitas, os temas são engajados e contemporâneos, exigindo que os alunos sejam capazes de articular leituras e conteúdos, refletir e demonstrar a maneira como pensam e elaboram os conhecimentos. "A Unicamp procura alunos atentos aos problemas do mundo contemporâneo e que defendam certos princípios de que a Universidade nunca abriu mão, a respeito dos direitos humanos, dos direitos sociais."
Expectativa
A candidata Maria Luísa dos Santos, 19 anos, chegou no campus de Barão Geraldo pouco depois das 7 horas da manhã, acompanhada da mãe, Sílvia Rosa. "Na primeira fase, pegamos congestionamento e chegamos na PUC perto das 9h. Dessa vez, decidimos chegar mais cedo", contou a mãe. A jovem, que se interessa por desenho, pintura e escultura, planeja cursar Artes Visuais. "Não estou tão preocupada com esse primeiro dia porque me dou bem com interpretação de texto e redação."
O grupo de amigas Ana Carolyna M. de Nogueira, Beatriz Domingos, Isabelle Mariana Leite, Júlia Santos e Mariana Verítico conversavam, animadas, antes do início da prova. Essa é a segunda vez que Santos, de 19 anos, participa da segunda fase do Vestibular da Unicamp, pleiteando uma vaga na graduação em Engenharia Ambiental. "Se eu passar na Unicamp, vou ser a primeira pessoa da minha família a fazer uma faculdade e estar dentro de uma universidade pública", relatou.
Tanto Santos quanto Nogueira realizaram cursinhos populares para auxiliar na preparação. "Isso já me deu uma aliviada, porque sei como a prova funciona", afirmou Nogueira, de 17 anos, que deseja cursar Administração.
Recomeços
Víctor Hugo Barreiro de Souza, de 19 anos, tenta pela segunda vez uma vaga em Midialogia, unindo seus interesses por futebol e produção de conteúdo. O jovem está confiante no resultado positivo após um ano de preparação. "Eu tinha uns pontos fracos em química e física e, no primeiro semestre, tentei me desenvolver melhor. No segundo semestre foquei mais a parte de humanas, já pensando na segunda fase."
