Salles alerta para "disfarce da esquerda em candidatos de direita"
Para o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), o Partido dos Trabalhadores (PT) não possui viabilidade eleitoral para vencer uma disputa ao Palácio dos Bandeirantes sob nenhuma circunstância. No entanto, o parlamentar aponta que o risco político reside em uma estratégia sutil: a dissimulação ideológica.
“Eu não acho que o PT ganhe no Estado de São Paulo em hipótese nenhuma. O problema é que, às vezes, a esquerda se disfarça em outros candidatos que tentam se fazer de direita, mas, que, no fim, são esquerda. Nós vemos isso na prefeitura de São Paulo”, declarou, explicitando o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A análise do parlamentar em relação às eleições de 2026 foi feita em entrevista ao Correio da Manhã, sucursal Campinas, na noite de quinta-feira (30), durante o encontro “O Brasil que queremos: Liberdade e Progresso”, que reuniu lideranças da legenda, como a deputada estadual Adriana Ventura.
Contundente
“A esquerda nunca governou o Estado de São Paulo. O PT nunca ganhou no Estado de São Paulo. Então, nós não podemos dar nenhuma margem para a esquerda chegar lá”, afirmou Salles.
Para ele, a estratégia que deve ser adotada deve ser cirúrgica: “Eu acho que a união da direita, nesta eleição de 26, vai ser muito importante".
Ao Correio da Manhã, reiterou que será candidato ao Palácio dos Bandeirantes, caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se candidate ao Planalto. Caso contrário, intenta candidatar-se ao Senado.
"Tarcísio está fazendo um bom trabalho no governo do Estado. E, se ele for à reeleição, nós, do partido Novo, certamente, o apoiaremos. E, se ele for para presidente, temos que garantir que o bom trabalho que ele está fazendo tenha continuidade. Então, é isso que a gente precisa se preocupar em fazer”.
Citou, ainda, os aspectos que pretende defender para chegar ao Executivo paulista ou à Câmara Alta: “Como paulista que sou, conheço muito o Estado de São Paulo, um Estado muito voltado para o trabalho, para a meritocracia, para o esforço e para os valores conservadores”.
Perfil
Salles foi secretário do meio ambiente de 2016 a 2017 no governo paulista, sob a gestão de Geraldo Alckmin, quando o governador era do PSDB.
Foi ministro da mesma pasta no governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2021. A gestão federal foi marcada pela desregulamentação ("passar a boiada" na legislação) e por críticas de ambientalistas, ativistas e órgãos de fiscalização, para os quais a política ambiental nacional foi desmontada, culminando em desmatamentos.
No mês passado, tornou-se réu no STF (Supremo Tribunal Federal), que o julga pelo suposto envolvimento em um esquema de contrabando florestal, depois que a Corte aceitou a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Foi ainda relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) na Câmara dos Deputados em 2023.
Lideranças de Campinas
O encontro reuniu líderes da direita campinense, como o vereador Nelson Hossri (PSD) e o ex-vereador Major Jaime, que era filiado ao PP (Partido Progressista), mas que agora está filiado ao Novo.
Ao Correio da Manhã, Hossri declarou que pretende se candidatar a deputado em 2026, seja para Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), ou mesmo à Câmara Federal - a depender da decisão do PSD.
Jaime declarou que não será candidato a nenhuma das cadeiras em 2026, mas que o trabalho dele, neste momento, é auxiliar nas candidaturas do Novo. Para o pleito de 2028, o policial militar diz não descartar uma possível candidatura.