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Mortes no trânsito crescem em SP; motos somam 48% dos óbitos

Cidade tem 782 mortes de janeiro a setembro, segundo dados do Infosiga

Por Da Redação

Cidade de São Paulo registrou 782 mortes no trânsito entre janeiro e setembro de 2026, aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 770 óbitos. Os motociclistas foram 379 das vítimas, cerca de 48% do total

A cidade de São Paulo registrou 782 mortes no trânsito entre janeiro e setembro de 2026, aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 770 óbitos. Os motociclistas foram 379 das vítimas, cerca de 48% do total. Os números são do Infosiga, sistema de monitoramento do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP).

O total de pessoas mortas em motocicletas foi o maior para os primeiros nove meses do ano desde o início da série histórica, em 2015. Na comparação com os 364 registros de 2025, houve alta de aproximadamente 4%. O resultado equivale, em média, a uma morte a cada 17 horas na capital paulista.

Considerando todos os usuários das vias, o acumulado de 2026 é o terceiro maior da série para o intervalo de janeiro a setembro. O número ficou abaixo dos 841 óbitos registrados em 2015 e dos 798 de 2024. A média neste ano foi de quase três mortes por dia. Setembro teve 108 vítimas fatais e foi o mês mais letal do período.

Entre ciclistas, as mortes passaram de 22 para 26 na comparação com os nove primeiros meses de 2025, aumento de cerca de 18%. Já entre ocupantes de automóveis, os registros caíram de 68 para 65, redução de 4,4%. Os dados foram divulgados pelo Infosiga na segunda-feira (19).

No grupo de motociclistas, 90% das vítimas eram homens. A faixa etária com mais mortes foi a de 20 a 34 anos. As colisões responderam por 53% dos casos, e 311 dos 379 óbitos ocorreram em vias urbanas. Junho teve o maior número mensal de mortes de pessoas em motocicletas neste ano, com 50 registros.

Procurada sobre os resultados, a Prefeitura de São Paulo informou, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que mantém ações para ampliar a segurança viária. A administração citou a Faixa Azul, sinalização voltada à circulação de motos, presente em 46 vias e com extensão total de 232,7 quilômetros.

Segundo a gestão municipal, a estrutura atende cerca de 500 mil motociclistas por dia. A Prefeitura atribui à iniciativa uma redução de 26,6% na taxa de severidade dos sinistros com motocicletas. A CET também informou que iniciou, em outubro, o curso gratuito Motociclista Seguro, destinado à prevenção de acidentes e ao aperfeiçoamento da pilotagem.

Guilherme Nafalski, gerente de relações institucionais do Instituto Cordial, relaciona o cenário ao aumento das viagens de moto para trabalhar e à redução do uso do transporte coletivo após a pandemia. Para ele, a resposta exige redução de velocidades, fiscalização, intervenções em pontos críticos e execução do Plano de Segurança Viária.

O pesquisador também cita estudo do Instituto Cordial, de universidades e da WRI Strategies que identificou aumento de mortes em cruzamentos durante a implantação da Faixa Azul. Ele defende políticas integradas e intervenções orientadas por dados para enfrentar as mudanças nos deslocamentos. 

Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, a Marginal Pinheiros foi a via com mais mortes na cidade, com 14 óbitos em sete acidentes fatais. No período, foram registrados 487 sinistros na marginal. A Prefeitura diz realizar operações em locais com maior concentração de acidentes e adota medidas para proteger os pedestres nas ruas. 

No conjunto do estado, o movimento foi diferente do observado na capital: as mortes no trânsito recuaram 4% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo intervalo de 2025. Os óbitos de motociclistas, porém, cresceram 2%. O Detran-SP afirmou que mantém iniciativas de educação, fiscalização e intervenções para reduzir mortes e lesões.