☰
✕

Auditoria aponta falhas no balanço do Jockey à CPI

Depoimentos abordam dados contábeis e recursos recebidos pela entidade

Por Da Redação

A reunião foi conduzida pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento (PL)

Representantes da Forvis Mazars relataram falhas na contabilidade do Jockey Club de São Paulo durante depoimento à CPI que investiga o clube na Câmara Municipal, nesta terça-feira (6). Segundo a contadora Andreia Gini de Souza, o ativo imobilizado e o patrimônio líquido estavam superavaliados, com diferença de aproximadamente R$ 1 bilhão.

A empresa foi contratada pelo Jockey para auditar as demonstrações financeiras de 2023 e 2024. Andreia informou que foram identificadas deficiências relevantes e que os problemas foram comunicados à administração do clube. Ela afirmou que recursos recebidos pelo clube foram usados para cobrir despesas, mas disse não se lembrar dos valores exatos discutidos na reunião.

A contadora também explicou que o relatório não avaliou a capacidade financeira da instituição. O sócio da empresa Paulo Misse, que declarou não ter participado dos trabalhos, esclareceu que a auditoria busca verificar se as demonstrações contábeis contêm distorções relevantes. Segundo ele, a análise é feita por amostragem e oferece segurança razoável, sem abranger toda a documentação.

A reunião foi conduzida pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento (PL). Os depoentes responderam por cerca de meia hora a perguntas sobre a movimentação de recursos no período auditado. Entre os pontos tratados estavam valores recebidos pelo clube e a identificação dos respectivos destinos.

Após as oitivas, Nascimento questionou a capacidade do Jockey de quitar dívidas com a Prefeitura. Na avaliação do vereador, as informações apresentadas pela consultoria indicam incertezas sobre a situação financeira da instituição e sobre uma eventual proposta de pagamento dos débitos municipais.

O presidente da CPI também mencionou operações de Transferência do Direito de Construir (TDC), instrumento que permite transferir para outro terreno o potencial construtivo não utilizado de um imóvel. Segundo Nascimento, foram identificadas entradas superiores a R$ 150 milhões, mas ainda faltam informações sobre todos os repasses relacionados a essas operações.

Outros dois convocados não compareceram. Advogados do ex-presidente do clube Benjamin Steinbruch informaram que ele está fora do país, mas pretende participar. Roberto de Almeida Demenato Garcia, sócio da TDC Consultoria, aguarda decisão judicial sobre o comparecimento. A comissão havia solicitado sua condução coercitiva.

CPI