USP pesquisa clima e risco de remoção em São Paulo
Pesquisa vai mapear áreas ameaçadas e analisar a política de habitação
O Observatório de Remoções da USP iniciou pesquisa sobre a relação entre a crise climática, a crise habitacional e as remoções na Região Metropolitana de São Paulo. O projeto vai mapear áreas ameaçadas e examinar o efeito de obras e medidas contra desastres na permanência de moradores. A iniciativa foi divulgada pelo Jornal da USP.
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa reúne especialistas de seis áreas, entre elas urbanismo, direito e climatologia. O trabalho vai de 2024 a 2029 e amplia a atuação do observatório, que acompanha remoções e ameaças de remoção desde 2012.
Uma das frentes fará o mapeamento metropolitano das populações sujeitas à perda da moradia. Para isso, os pesquisadores pretendem cruzar registros públicos, informações judiciais, dados geográficos e levantamentos de campo. A análise deve localizar ameaças de despejo, deslocamentos por obras e exposição a problemas ambientais. Os resultados serão apresentados em bancos de dados e mapas.
A outra frente acompanhará casos em territórios específicos. O estudo prevê visitas de campo, entrevistas, cartografias feitas com moradores e análise dos processos administrativos e judiciais. A equipe examinará a trajetória das famílias e os agentes envolvidos em cada conflito. Os casos locais também servirão para examinar situações que os dados gerais não mostram em detalhe.
O conceito de risco será tratado em diferentes dimensões. Além da possibilidade de enchentes, deslizamentos e outros eventos ambientais, o grupo avaliará a instabilidade das construções, a pressão de projetos urbanos e do mercado imobiliário, a fragilidade da posse, o endividamento e a perda de renda. Marcadores como raça, gênero e classe serão considerados para verificar como essas condições se sobrepõem.
Segundo a descrição do projeto, uma classificação de risco pode orientar medidas de proteção, mas também aparecer em processos que resultam na retirada de moradores. A pesquisa buscará entender como governos, órgãos de Justiça, empresas e comunidades usam essa classificação e quais são seus efeitos sobre a população atingida.
O observatório prevê publicar relatórios, artigos e mapas, além de promover debates com pesquisadores e instituições parceiras. O objetivo declarado é fornecer informações para a discussão de políticas habitacionais e de adaptação climática. Ainda não há resultados consolidados desta nova fase; os levantamentos deverão ser produzidos ao longo da pesquisa.