Defesa de Milton Leite requer habeas corpus ao STJ

Pedido contesta prisão; polícia apura furto de HD em escritório de SP

Por Da Redação

Milton Leite se apresentou às autoridades na Grande SP

A defesa do ex-vereador Milton Leite apresentou nesta segunda-feira (21) pedido de habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar revogar a prisão decretada na Operação Vectura Corrupta. Ele está detido desde sexta-feira (18), quando se entregou à polícia em Mogi das Cruzes.

Os advogados questionam a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que autorizou a prisão. Segundo a defesa, a primeira instância havia rejeitado a medida por considerar insuficientes os elementos apresentados. O pedido sustenta que não haveria provas documentais ou vínculos diretos entre Leite e outros investigados, mas referências ao nome dele em relatos de terceiros.

A defesa também solicita a anulação da decisão do TJ-SP. Leite é investigado por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e por supostamente atuar como proprietário de fato da Transwolff, concessionária de ônibus. Ele nega as acusações. A empresa afirma que o ex-vereador nunca integrou seu quadro societário ou sua gestão.

A operação investiga uma possível infiltração da facção no transporte coletivo de São Paulo, além de suspeitas de corrupção de agentes públicos e financiamento irregular de campanhas. A ação determinou 16 prisões temporárias e buscas em 18 endereços.

Enquanto o recurso tramita, a Polícia Civil apura o furto em um imóvel usado como escritório político por Leite, em Santo Amaro, na zona sul. Câmeras próximas registraram suspeitos deixando o endereço depois da invasão. O crime ocorreu na noite de domingo (20) dois dias após o ex-vereador se apresentar às autoridades.

Segundo a apuração policial, os invasores arrombaram o imóvel, reviraram os cômodos e levaram um HD que armazenava gravações do sistema de segurança. Cerca de R$ 19 mil em espécie permaneceram no local. Policiais também encontraram documentos ligados a Leite, cartões, um telefone celular e um chip. Parte do material foi recolhida para análise.

Uma moradora percebeu a movimentação e acionou a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, os suspeitos já haviam fugido. Até a última atualização, ninguém havia sido preso. O caso é investigado.

Os investigadores analisam se o episódio tem relação com a prisão de Leite ou com a operação sobre o setor de transportes. Essa ligação ainda não foi comprovada. O escritório não estava entre os endereços incluídos nos mandados de busca da Vectura Corrupta.