São Paulo está entre as cidades mais barulhentas do mundo
Trânsito e helicópteros, além da vida noturna, elevam ruído na capital
São Paulo ocupa a 19ª posição em um levantamento que estima os níveis de ruído em 50 grandes cidades do mundo. A capital paulista apresenta variação de 68 a 80 decibéis durante o dia e de 55 a 70 decibéis à noite. Trânsito, circulação de helicópteros e atividades noturnas aparecem como as principais fontes sonoras identificadas no município.
O ranking foi elaborado pela plataforma Decibel Shield e atualizado em junho de 2026. Daca, capital de Bangladesh, lidera a lista, com níveis diurnos estimados entre 78 e 95 decibéis e noturnos entre 65 e 80 decibéis. O tráfego de veículos, o uso de buzinas e as obras estão entre os fatores que mais contribuem para o resultado registrado na cidade asiática.
Na classificação, São Paulo aparece logo depois de Nova York, que ocupa o 18º lugar. A cidade norte-americana tem faixa diurna estimada entre 68 e 81 decibéis e noturna entre 57 e 72 decibéis. Trânsito, construções, sirenes e metrô são apontados como as fontes predominantes. Buenos Aires está na 20ª colocação, com índices de 67 a 80 decibéis durante o dia e de 55 a 68 decibéis à noite, associados principalmente a veículos, ônibus e atividades noturnas.
Os valores atribuídos à capital paulista superam os parâmetros usados como referência no levantamento. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam que a exposição média ao barulho produzido pelo tráfego rodoviário permaneça abaixo de 53 decibéis ao longo do dia e de 45 decibéis durante a noite. Os limites buscam reduzir efeitos negativos sobre a saúde e a qualidade do sono.
A exposição frequente a ruídos intensos pode estar relacionada a distúrbios do sono, estresse, incômodo, zumbido e perda auditiva. Também há associação com problemas cardiovasculares e prejuízos cognitivos. O impacto varia conforme a intensidade do som, o tempo de exposição, o horário, a distância da fonte e as características do ambiente.
O levantamento não indica que todos os moradores estejam submetidos continuamente aos níveis máximos apresentados. Os resultados representam faixas estimadas para os períodos diurno e noturno e podem variar dentro de cada município. Regiões próximas a grandes avenidas, aeroportos, linhas ferroviárias, obras ou áreas de entretenimento tendem a registrar condições diferentes das observadas em bairros mais afastados dessas fontes.
A plataforma também informa que não realizou medições diretas e simultâneas nas 50 cidades. As estimativas reúnem informações de relatórios internacionais, mapas oficiais de ruído, bases de transporte e pesquisas acadêmicas. Por isso, a classificação funciona como uma comparação geral da exposição sonora urbana, e não como um retrato uniforme de todas as ruas ou bairros das localidades analisadas.
As dez primeiras posições são ocupadas principalmente por cidades da Ásia e da África. Depois de Daca aparecem Moradabad e Délhi, na Índia; Cairo, no Egito; Mumbai e Calcutá, também na Índia; Carachi, no Paquistão; Cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã; Catmandu, no Nepal; e Lagos, na Nigéria. Nessas localidades, tráfego intenso, buzinas, obras, atividades industriais, geradores e comércio de rua estão entre as fontes mais frequentes.
Na outra ponta do levantamento, Zurique aparece como a cidade menos ruidosa entre as 50 avaliadas. A cidade suíça registra de 53 a 64 decibéis durante o dia e de 43 a 53 decibéis à noite. Viena e Estocolmo figuram entre as localidades menos ruidosas. Amsterdã, Berlim, Sydney, Cingapura, Toronto e Tóquio estão nas últimas posições.