CPI do Jockey é prorrogada por mais 120 dias

Comissão amplia prazo para concluir oitivas e preparar relatório final

Por 'Da Redação

CPI investiga possíveis irregularidades nas atividades do Jockey Club de São Paulo

A CPI do Jockey Club da Câmara Municipal de São Paulo aprovou a prorrogação dos trabalhos por mais 120 dias. A decisão foi tomada nesta terça-feira (8), durante reunião em que o colegiado ouviu o presidente da entidade, Vicente Renato Paolillo, sobre dívidas tributárias, prestação de contas e a situação financeira do clube. A comissão investiga possíveis irregularidades fiscais e imobiliárias, além da atuação do poder público.

Durante o depoimento, vereadores questionaram Paolillo sobre cerca de 10 mil documentos apresentados pelo Jockey Club ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). O material integra prestações de contas relacionadas a projetos da Lei Rouanet e inclui notas fiscais de restaurantes, hotéis e passagens aéreas. Segundo o dirigente, a documentação foi organizada por uma equipe interna sob responsabilidade da direção executiva da entidade.

Outro ponto abordado foi a dívida do Jockey Club com a Prefeitura de São Paulo. Paolillo contestou os critérios adotados pelo município para calcular os valores cobrados. De acordo com o presidente, diferentes tipos de benfeitorias existentes no complexo recebem avaliações semelhantes, apesar das diferenças entre estruturas como tribunas e cocheiras. O dirigente informou ainda que o impasse sobre os débitos se estende há anos e que o clube mantém negociações com a administração municipal.

A situação financeira da instituição também foi discutida. Paolillo explicou que parte da receita é obtida por meio das apostas realizadas nas corridas. Uma parcela desses recursos é destinada à manutenção do clube, enquanto o restante é distribuído entre apostadores e participantes das competições.

Segundo a presidência da CPI, o Jockey registrou prejuízo superior a R$ 60 milhões nos últimos dois anos. A comissão também recebeu informações sobre o interesse de um grupo ligado a uma instituição financeira em investir na remodelação do complexo. Para os vereadores, um eventual aporte poderá influenciar a capacidade do clube de regularizar seus débitos.

Além da ampliação do prazo da investigação, a CPI aprovou outros requerimentos. Entre eles está a intimação de Benjamin Steinbruch, ex-presidente do Jockey Club e integrante do Conselho de Administração, para prestar depoimento. Ele já havia sido convidado para comparecer à comissão, mas não participou da reunião.

Com os 120 dias adicionais, o colegiado pretende concluir os depoimentos pendentes, aprofundar a análise dos documentos reunidos durante a investigação e avançar na elaboração do relatório final. A CPI apura a gestão dos débitos tributários, negociações envolvendo terrenos e construções do Jockey Club e eventuais falhas ou omissões de órgãos públicos na fiscalização das atividades da entidade.

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