Servidor da Prefeitura preserva memória dos Matarazzo
Servidor reúne livros, documentos e objetos sobre a história do grupo
O jornalista e servidor da Prefeitura de São Paulo Everton Calício, de 40 anos, mantém um acervo dedicado à história da família Matarazzo e à participação do grupo no processo de industrialização de São Paulo. Morador do Pari, na região central, ele começou a pesquisar a trajetória dos empresários aos 11 anos e, desde então, reúne livros, documentos, embalagens, fotografias e outros objetos relacionados às Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM).
O interesse surgiu em 1996, após Calício assistir a uma reportagem sobre a demolição da antiga Mansão Matarazzo, localizada na Avenida Paulista. A partir daquele período, ele passou a consultar jornais antigos e documentos em bibliotecas da capital. Durante as pesquisas, encontrou o livro “Matarazzo – 100 anos”, publicado em 1982, que ampliou o interesse pela história da família.
Ao longo dos anos, o servidor passou a formar uma coleção com materiais ligados ao conglomerado industrial. Parte dos itens foi doada por antigos funcionários das empresas e outra parte foi adquirida em leilões de antiguidades. Entre os objetos estão embalagens de produtos fabricados pelas IRFM, incluindo uma lata de biscoitos com imagens de pontos históricos de São Paulo.
A relação com os produtos da empresa começou ainda na infância. Durante uma compra com a mãe, Calício identificou o nome das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo no verso de uma embalagem de sabonete Francis. O episódio despertou a curiosidade sobre a origem da marca e sobre a dimensão dos negócios da família.
A pesquisa também fez parte da formação acadêmica do servidor. Durante a universidade, ele produziu um Trabalho de Conclusão de Curso sobre Maria Pia Matarazzo, neta de Francesco Matarazzo e última presidente das IRFM. Após anos tentando contato, Calício conseguiu apresentar o trabalho pessoalmente a Maria Pia durante uma viagem ao interior de São Paulo.
O pesquisador também estabeleceu contato com pessoas que estudam a trajetória da família. Entre elas está a historiadora Cristina Carvalho, que conheceu Calício quando ele ainda era adolescente e pesquisava informações sobre a unidade industrial dos Matarazzo em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Em 2012, os dois participaram da organização de uma exposição em São Caetano do Sul, durante as comemorações do centenário da presença da família no município. Calício também participou posteriormente de outras exposições relacionadas aos Matarazzo, realizadas no Paraná e na capital paulista.
Parte do acervo atualmente está em um cômodo da residência do servidor, transformado em biblioteca. O espaço reúne mais de mil livros sobre a história de São Paulo e mais de 400 objetos, documentos e publicações relacionados aos Matarazzo.
A história da família começou a ganhar força em São Paulo a partir dos negócios de Francesco Matarazzo, imigrante italiano que iniciou atividades comerciais em Sorocaba, no interior paulista, em 1882. Em 1883, abriu uma fábrica de banha e, em 1900, inaugurou o Moinho Matarazzo, na capital. Em 1911, os diferentes negócios foram reunidos sob a estrutura das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo.
O conglomerado chegou ao auge entre as décadas de 1940 e 1950. Segundo dados históricos apresentados pela Prefeitura, o grupo chegou a reunir cerca de 200 fábricas e 30 mil trabalhadores. As empresas atuavam em setores como alimentos, tecidos, produtos químicos, higiene, embalagens, louças e materiais de construção.
O grupo teve três presidentes: Francesco Matarazzo, fundador das empresas; Francisco Matarazzo Júnior, seu filho; e Maria Pia Matarazzo, sua neta. As atividades industriais foram encerradas gradualmente ao longo das décadas seguintes, em meio a mudanças econômicas e à transformação dos negócios da família.
Entre os imóveis associados à trajetória dos Matarazzo em São Paulo está o Edifício Conde Matarazzo, no Vale do Anhangabaú, atual sede da Prefeitura. O prédio foi projetado pelo arquiteto italiano Marcello Piacentini e abrigou atividades ligadas ao conglomerado.
Calício trabalha atualmente na Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. O acervo mantido por ele reúne registros de diferentes períodos da história dos Matarazzo e de sua relação com o desenvolvimento econômico e urbano da capital paulista.
Com informações da Prefeitura de SP