Clube deixa Campo de Marte para obra de parque
Desocupação integra implantação de parque na zona norte de São Paulo
O Grêmio Esportivo Cruz da Esperança começou a desocupar, nesta quarta-feira (29), a área que ocupa há cerca de cinco décadas no Campo de Marte, na zona norte da capital paulista. A retirada ocorre em meio ao processo de implantação do futuro Parque Municipal Campo de Marte, projeto da Prefeitura de São Paulo executado por meio de concessão à iniciativa privada.
Segundo a administração municipal, a desocupação faz parte das etapas previstas para a entrega da área à concessionária responsável pelo parque. O contrato estabelece que o terreno seja disponibilizado livre para o início das intervenções previstas no projeto de requalificação do espaço.
O Cruz da Esperança utilizava o local para atividades esportivas e comunitárias, reunindo equipes de futebol de várzea e promovendo eventos voltados aos moradores da região. Representantes do clube afirmam que a saída interrompe uma tradição construída ao longo de décadas e manifestam preocupação com a continuidade das atividades durante o período de obras.
De acordo com a Prefeitura, a implantação do parque prevê novos campos de futebol com infraestrutura modernizada, incluindo vestiários, áreas administrativas e espaços de convivência. A gestão municipal informa que, após a conclusão das obras, os clubes tradicionais poderão retomar as atividades nos novos equipamentos esportivos, em modelo de gestão compartilhada.
A concessionária responsável pelo empreendimento informou que mantém diálogo com as agremiações para buscar alternativas durante o período de transição. Conforme a empresa, o objetivo é preservar a prática do futebol de várzea no local após a conclusão da requalificação.
O projeto do Parque Municipal Campo de Marte prevê a transformação de uma área de aproximadamente 385 mil metros quadrados em um espaço voltado ao lazer, esporte, cultura e preservação ambiental. Além dos novos campos de futebol, estão previstos equipamentos de uso público, áreas verdes, trilhas, espaços para convivência e estruturas de apoio aos visitantes. A concessão terá duração de 35 anos, cabendo à empresa vencedora executar as obras e administrar o parque durante esse período.
O Campo de Marte abriga tradicionalmente clubes ligados ao futebol de várzea paulistano, modalidade que reúne equipes amadoras e tem forte presença histórica na zona norte da cidade. Nos últimos meses, representantes dessas agremiações vêm acompanhando as mudanças decorrentes da implantação do parque e discutindo alternativas para garantir a continuidade das atividades esportivas após a conclusão das intervenções.