Capela dos Aflitos reabre após restauração em SP

Templo histórico da Liberdade volta a receber visitantes

Por Da Redação

Antes e depois. Restauração recebeu investimentos superiores a R$ 3 milhões

A Capela dos Aflitos, um dos mais antigos templos religiosos da cidade de São Paulo, foi reaberta no último sábado (27), no bairro da Liberdade, após passar por um processo de restauração que durou cerca de dois anos. Fechado desde o início das obras, o espaço voltou a receber celebrações religiosas e visitantes, marcando uma nova etapa na preservação de um dos principais patrimônios históricos ligados à memória da população negra e indígena da capital paulista.

Construída em 1779, a capela foi erguida sobre a área do antigo Cemitério dos Aflitos, utilizado nos séculos XVIII e XIX para o sepultamento de pessoas escravizadas, indígenas, pobres e condenados à pena de morte. O local é considerado um dos mais importantes marcos da história da escravidão em São Paulo e integra um conjunto de referências históricas preservadas no bairro da Liberdade.

As intervenções incluíram a recuperação da estrutura da edificação, reforço das paredes, restauração do telhado, das esquadrias, dos sinos e dos elementos artísticos, além da modernização das instalações elétricas e hidráulicas. O projeto também incorporou recursos de acessibilidade, como piso tátil, sinalização adaptada e melhorias no acesso ao público. Durante as obras, foram realizados trabalhos arqueológicos que identificaram vestígios humanos compatíveis com o antigo cemitério, reforçando a relevância histórica do espaço.

A restauração recebeu investimentos superiores a R$ 3 milhões, provenientes de recursos públicos e de iniciativas voltadas à preservação do patrimônio histórico. A cerimônia de reabertura reuniu representantes da comunidade, entidades ligadas à preservação da memória negra, religiosos e moradores da região. A partir de agora, a capela volta a integrar o roteiro histórico e cultural da cidade, com expectativa de ampliar as atividades religiosas, educativas e de visitação, fortalecendo a valorização do patrimônio material e da memória social preservada no local.