Parada LGBT+ deve movimentar R$ 466 milhões na economia de SP

Queda no número de patrocinadores deve enxugar evento na capital

Por Da Redação

Parada do Orgulho LGBT+ será no próximo dia 7 de junho, na Avenida Paulista

A edição de 2026 da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo deve movimentar R$ 466,2 milhões na economia da capital paulista, segundo estimativa divulgada pela Associação Comercial de São Paulo. O valor representa uma redução de R$ 82,3 milhões em relação ao ano anterior, quando o evento gerou impacto econômico estimado em R$ 548,5 milhões.

De acordo com a entidade, a queda está relacionada à diminuição de investimentos privados e à perda de patrocinadores para a realização do evento, marcado para o próximo dia 7 de junho, na Avenida Paulista. A organização prevê uma estrutura menor em comparação com as últimas edições, justamente no ano em que a Parada completa três décadas de existência.

O cálculo considera os gastos realizados por participantes em setores como hotelaria, bares, restaurantes, transporte, comércio, turismo e serviços. Tradicionalmente, a Parada atrai visitantes de diversas regiões do Brasil e também turistas estrangeiros, o que impulsiona a atividade econômica no centro expandido da cidade durante o período do evento.

A retração no apoio financeiro ocorre em meio a mudanças nas estratégias de marketing e diversidade adotadas por grandes empresas, especialmente multinacionais. Organizadores do evento apontam que parte das marcas reduziu investimentos em ações ligadas à pauta LGBTQIA+ nos últimos anos.

Neste ano, apenas algumas empresas confirmaram apoio institucional à Parada até o momento. Em edições anteriores, o número de patrocinadores privados era significativamente maior. Segundo a organização do evento, a arrecadação obtida com patrocínios sofreu queda próxima de 60% em comparação com anos recentes.

Mesmo com a redução no orçamento, a expectativa é de grande público na Avenida Paulista e em vias da região central. A Parada de São Paulo é considerada uma das maiores manifestações LGBTQIA+ do mundo e integra o calendário turístico da capital paulista desde a década de 1990.

A edição de 2026 terá como tema a mobilização política e a participação eleitoral da população LGBTQIA+. A proposta busca ampliar o debate sobre representação política e direitos civis em um cenário de avanço de pautas conservadoras no país.

Além da programação cultural e dos trios elétricos, a semana da Parada costuma reunir shows, debates, feiras, festas e atividades organizadas por coletivos, entidades e estabelecimentos comerciais. O evento também impacta diretamente a ocupação hoteleira e o fluxo de visitantes em regiões como Paulista, Consolação, República e Frei Caneca.

Nos últimos dias, a discussão em torno da Parada ganhou repercussão política após a aprovação, em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo, de um projeto que prevê restrições à presença de menores de idade em eventos relacionados à pauta LGBTQIA+. A proposta também estabelece limitações para eventos realizados em espaços públicos.

O texto ainda precisará passar por nova votação antes de eventual encaminhamento para sanção do Executivo municipal. Especialistas em direito constitucional e entidades ligadas aos direitos humanos avaliam que a proposta pode enfrentar questionamentos judiciais por possível afronta a princípios constitucionais relacionados à liberdade de expressão, igualdade e direito de reunião.