Egípcia grávida e filhos obtêm autorização para entrar no Brasil após retenção

Família passou quase um mês em área restrita do Aeroporto de Guarulhos

Por Da Redação

Desembarque internacional no Aeroporto de Guarulhos

Uma mulher egípcia grávida de 36 semanas e seus dois filhos pequenos receberam autorização para entrar no Brasil após permanecerem por quase um mês retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A liberação ocorreu nesta quinta-feira (7), segundo informou a defesa da família.

A mulher e as crianças, de dois e cinco anos, deverão ser acolhidas por organizações de apoio a migrantes que acompanham o caso desde abril. O pai das crianças, um engenheiro civil egípcio de 31 anos, segue na área restrita do aeroporto enquanto aguarda análise de um pedido de visto humanitário pelas autoridades brasileiras.

A família desembarcou no Brasil no dia 8 de abril, em voo procedente da Arábia Saudita, mas foi impedida de ingressar no país. O homem foi enquadrado em norma do Ministério da Justiça que prevê restrições à entrada de pessoas consideradas ameaça à segurança pública ou suspeitas de ligação com organizações criminosas, terrorismo, tráfico internacional e exploração sexual.

Segundo a defesa, o egípcio nega qualquer envolvimento com atividades ilegais. Ele afirma ter sido condenado em seu país após participar de manifestações políticas realizadas em 2015 contra o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi. Após deixar o Egito, a família passou a viver no Bahrein antes de decidir buscar refúgio no Brasil em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.

Durante o período de retenção, os quatro permaneceram hospedados em um hotel localizado dentro da área restrita de embarque do aeroporto, sem autorização para circular livremente fora do local. A situação da gestante mobilizou entidades de direitos humanos e organizações ligadas à pauta migratória.

Em meio à espera pela definição do caso, a mulher precisou ser encaminhada a atendimento hospitalar após apresentar fortes dores abdominais. Exames apontaram um quadro de infecção urinária. O estado avançado da gravidez passou a ser um dos principais argumentos apresentados pela defesa para solicitar a entrada imediata da família no território brasileiro, diante dos riscos de deslocamento internacional próximos ao parto.

A possibilidade de deportação para o Egito também gerava preocupação entre os familiares. O engenheiro alegou que poderia ser preso ao retornar ao país para cumprir a pena relacionada aos protestos políticos.

O caso chegou à Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. No fim de abril, o colegiado encaminhou pedidos ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitando providências humanitárias e acompanhamento da situação da família.

Entre as medidas solicitadas estavam a garantia de atendimento médico contínuo à gestante, avaliação clínica do bebê, além da manutenção de condições adequadas de permanência enquanto o processo migratório estivesse em análise. A comissão também pediu que o caso fosse tratado sob perspectiva humanitária, com observância aos direitos fundamentais previstos na legislação brasileira e em acordos internacionais sobre proteção de migrantes e refugiados.