Airbnb revisa anúncios de imóveis sociais em São Paulo

Plataforma analisa divulgações e pode excluir unidades irregulares

Por Da Redação

Desde 2025, um decreto municipal proíbe o uso de imóveis classificados como Habitação de Interesse Social e Habitação de Mercado Popular para locação temporária.

A plataforma Airbnb iniciou um processo de verificação de anúncios de imóveis na cidade de São Paulo e pode retirar da lista unidades enquadradas como habitação social que estejam sendo usadas de forma irregular para locação de curta duração. A medida ocorre após a Prefeitura intensificar o envio de informações sobre imóveis que não podem ser explorados comercialmente nesse modelo.

Proprietários de apartamentos cadastrados passaram a receber notificações informando sobre possíveis inconsistências nos anúncios e o risco de exclusão das ofertas. A análise considera dados oficiais encaminhados pelo poder público municipal, que identificam unidades destinadas a programas habitacionais voltados à população de baixa renda.

Desde 2025, um decreto municipal proíbe o uso de imóveis classificados como Habitação de Interesse Social e Habitação de Mercado Popular para locação temporária. Essas moradias foram criadas com subsídios públicos e têm como finalidade garantir acesso à moradia para famílias de menor renda, não podendo ser destinadas a atividades comerciais desse tipo.

A iniciativa da plataforma ocorre em meio a investigações sobre o uso indevido desses imóveis. Apurações indicam que unidades financiadas por políticas habitacionais acabaram sendo adquiridas por investidores e ofertadas em plataformas digitais de hospedagem, desviando sua função original.

O cruzamento de informações entre a Prefeitura e empresas do setor foi apontado como essencial para identificar irregularidades. A administração municipal já havia solicitado que plataformas digitais criassem mecanismos para bloquear anúncios de imóveis que não atendem às regras urbanísticas da cidade.

Além disso, a lista oficial com unidades de habitação social foi encaminhada às empresas para facilitar a identificação dos imóveis e permitir a adoção de medidas mais rápidas. A expectativa é que, com esses dados, seja possível ampliar a fiscalização e reduzir o uso indevido das moradias subsidiadas.

O tema também é discutido em investigações conduzidas na Câmara Municipal, que analisam possíveis fraudes na comercialização dessas unidades e o desvio de finalidade. A oferta desses imóveis no mercado de aluguel por temporada é vista como um dos principais pontos de irregularidade.

Com o novo processo de verificação, a tendência é que anúncios considerados incompatíveis com a legislação sejam removidos da plataforma. A medida busca alinhar a atuação das empresas às normas municipais e reforçar o controle sobre o uso de imóveis destinados à política habitacional na capital paulista.