Kassab critica ‘Times Square paulistana’ e condiciona apoio à lei
Ex-prefeito diz que projeto no Centro não pode comprometer Lei Cidade Limpa
O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab afirmou nesta segunda-feira (27) que pode se posicionar de forma contrária ao projeto conhecido como “Times Square paulistana” caso a iniciativa interfira nas regras da Lei Cidade Limpa. A proposta prevê a instalação de grandes painéis de LED na região central da capital e tem sido apresentada como parte de um conjunto de ações voltadas à revitalização urbana.
Kassab, responsável pela criação da legislação em 2006, ressaltou que qualquer alteração que fragilize as normas vigentes deve ser rejeitada. A lei foi implementada com o objetivo de reduzir a poluição visual na cidade, estabelecendo critérios rígidos para a exibição de publicidade em espaços públicos e privados visíveis da rua. Desde então, tornou-se um dos marcos da política urbana paulistana.
O projeto em discussão envolve o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, onde está prevista a instalação de quatro painéis luminosos de grande porte em edifícios estratégicos. A iniciativa foi analisada e aprovada por órgãos técnicos municipais, incluindo a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), responsável por fiscalizar o cumprimento das diretrizes da legislação.
Durante participação em evento no interior do estado, Kassab reforçou que a Lei Cidade Limpa representa uma conquista consolidada e amplamente aceita pela população. Segundo ele, mudanças que afetem sua essência podem ser interpretadas como um retrocesso em relação aos avanços obtidos na organização visual da cidade ao longo dos últimos anos.
O tema ganhou visibilidade também após manifestações públicas do governador Tarcísio de Freitas, que divulgou conteúdos nas redes sociais apresentando uma versão ampliada do projeto, com uso de imagens geradas por inteligência artificial. As simulações mostravam fachadas de prédios cobertas por publicidade digital, em referência ao modelo adotado em Nova York. As publicações tiveram grande alcance e repercussão.
Apesar disso, o projeto aprovado tem escopo mais limitado. A proposta estabelece a instalação de quatro telões e uma projeção em fachada histórica, com regras específicas para funcionamento e conteúdo exibido. A publicidade será restrita a até 30% do tempo total, enquanto o restante será destinado a informações culturais e utilidade pública.
O plano também prevê contrapartidas urbanísticas, como intervenções em espaços públicos e melhorias em áreas próximas. O investimento inicial estimado é de cerca de R$ 44 milhões, com recursos provenientes exclusivamente da iniciativa privada. A execução ficará a cargo de empresas responsáveis pela exploração comercial dos espaços publicitários.
O projeto integra um conjunto mais amplo de medidas voltadas à requalificação do Centro, defendidas pela gestão do prefeito Ricardo Nunes. Entre as ações citadas estão iniciativas habitacionais, reforço na segurança pública e intervenções urbanísticas para estimular a circulação de pessoas na região.
De acordo com o governo estadual, há previsão de ampliação do efetivo policial no Centro, com o objetivo de garantir segurança para frequentadores e moradores. A proposta também inclui a realização de eventos culturais e a possível restrição do tráfego de veículos em determinados períodos, especialmente nos fins de semana.
As regras de operação dos painéis incluem limites de luminosidade, horários de funcionamento entre 5h e 23h e restrições quanto ao tipo de conteúdo exibido. Também estão proibidas animações que possam causar distrações no trânsito ou comprometer a visibilidade de sinalizações urbanas.
A expectativa é que o boulevard comece a operar ainda este ano, dependendo da implementação das estruturas e do cumprimento das exigências técnicas. O tema segue em debate, com diferentes avaliações sobre os impactos urbanísticos, visuais e culturais da proposta para a região central da cidade.