CPI do Metanol ouve condenada por adulteração de bebidas em SP

Depoente nega uso de metanol e relata esquema com bebidas mais baratas

Por Da Redação

Segundo as investigações, ela foi detida em flagrante em uma fábrica irregular localizada em São Bernardo do Campo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a adulteração de bebidas alcoólicas realizou na Câmara Municipal de São Paulo, a oitiva de uma mulher condenada em primeira instância por envolvimento em um esquema clandestino de falsificação. A depoente participou da sessão de forma remota, a partir da Penitenciária Feminina Sant’Ana, onde está presa desde outubro de 2025.

Segundo as investigações, ela foi detida em flagrante em uma fábrica irregular localizada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O local é apontado como possível origem de garrafas consumidas por duas pessoas em um bar na zona leste da capital paulista. Cerca de dois meses após a prisão, a Justiça determinou pena de sete anos de reclusão.

Durante o depoimento, a mulher afirmou que realizava a adulteração de bebidas desde 2021. De acordo com sua versão, o procedimento consistia em reutilizar garrafas de marcas conhecidas, preenchendo-as com produtos de menor valor comercial. Ela declarou que adquiria bebidas em estabelecimentos comerciais e que os itens possuíam documentação fiscal.

A depoente negou, no entanto, a adição de substâncias tóxicas, como metanol ou etanol industrial, às misturas. Segundo ela, as bebidas utilizadas tinham origem lícita e, em sua avaliação, não apresentariam risco à saúde. Ainda assim, reconheceu ter cometido irregularidades ao realizar o reenvase e a redistribuição dos produtos.

Questionada sobre a possibilidade de atuação em conjunto com outras pessoas, afirmou ter agido sozinha. Também declarou arrependimento e atribuiu sua conduta a dificuldades financeiras enfrentadas no período, relacionadas ao sustento da família. Afirmou que o volume de comercialização não era elevado.

A mulher não apresentou, durante a sessão, nomes de clientes ou envolvidos. Informou que esses dados serão encaminhados posteriormente por meio de seu advogado e que já estão em posse das autoridades policiais responsáveis pelo caso.

Além do depoimento da investigada, a comissão ouviu familiares de vítimas de intoxicação por metanol. Uma das participantes relatou que o filho, de 24 anos, perdeu a visão após ingerir bebida adulterada durante um evento realizado no ano passado. O jovem também se manifestou, destacando impactos profundos em sua vida pessoal e profissional após o episódio.

Parlamentares que integram a CPI avaliaram que os relatos reforçam a gravidade das investigações. A presidência do colegiado destacou a importância da colaboração dos depoentes para o avanço dos trabalhos e a identificação de possíveis responsáveis pela cadeia de produção e distribuição irregular.

A vice-presidência ressaltou que a coleta de depoimentos é essencial para mapear a atuação do comércio ilegal e compreender a estrutura das operações clandestinas. A expectativa é ampliar o número de oitivas nas próximas etapas da investigação.

Durante a reunião, também foram aprovados dois requerimentos apresentados pela relatoria. Um deles prevê o convite a uma entidade ligada a cooperativas de reciclagem, com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre o fluxo de materiais reutilizados. O outro solicita a intimação de um indivíduo apontado como possível fornecedor de recipientes utilizados no esquema investigado.

A sessão contou com a participação de vereadores integrantes da comissão, que seguem conduzindo os trabalhos com foco na apuração de responsabilidades e na prevenção de novos casos relacionados à adulteração de bebidas alcoólicas.