CPI do Metanol ouve comerciantes e familiares

Comissão apura venda de bebidas adulteradas na capital paulista

Por Da Redação

Comissão apura a procedência de bebidas alcoólicas comercializadas na cidade de São Paulo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Metanol realizou, nesta terça-feira (31), nova rodada de depoimentos para investigar a comercialização de bebidas adulteradas na cidade de São Paulo. Entre os ouvidos estavam proprietários de estabelecimentos sob investigação e a mãe de um jovem que morreu após consumir bebida contaminada.

O caso em análise envolve a morte de Rafael dos Anjos Martins, de 27 anos, que ingeriu gin com metanol. A mãe da vítima, Helena dos Anjos Martins da Silva, prestou depoimento e relatou a demora no contato por parte de um dos estabelecimentos investigados após o ocorrido.

Um dos depoentes foi o dono de um bar localizado na zona leste da capital, que chegou a ser interditado temporariamente após a morte de dois clientes por suspeita de intoxicação. O comerciante afirmou que adquiria bebidas de um fornecedor indicado por conhecidos e reconheceu que não recebia notas fiscais dos produtos. Segundo ele, houve falha na fiscalização dessa prática.

Questionado pelos vereadores sobre ausências em convocações anteriores, o empresário alegou problemas de saúde. Também foi cobrado sobre a reabertura do estabelecimento sem autorização formal. Ele afirmou que houve erro de comunicação durante o processo e que o local funcionou por um curto período antes de ser novamente fechado.

Outro depoente foi o responsável por uma adega onde a vítima teria comprado a bebida adulterada. No local, foram apreendidas garrafas suspeitas de contaminação. O comerciante declarou que trabalha com diversos fornecedores e admitiu que, em algumas situações, adquiriu produtos sem nota fiscal, prática que classificou como equivocada.

Ele afirmou ainda que entregou documentos e registros de compras às autoridades, mas não conseguiu identificar qual fornecedor teria vendido as bebidas contaminadas. Após o episódio, disse que o estabelecimento permaneceu fechado por cerca de dois meses e que adotou medidas de controle mais rígidas, incluindo fiscalização interna e acompanhamento frequente de órgãos sanitários.

Durante a sessão, houve divergência sobre o contato com a família da vítima. Enquanto o comerciante afirmou ter tentado se comunicar dias após o ocorrido, a mãe do jovem disse que a manifestação ocorreu apenas semanas depois, quando já estava em trâmites legais relacionados à morte do filho.

Parlamentares que integram a comissão destacaram a necessidade de maior rigor na aquisição de produtos e responsabilização de comerciantes. Também apontaram que a ausência de controle sobre fornecedores pode representar risco à saúde pública.

Como encaminhamento, a CPI decidiu convocar novamente um dos depoentes para novos esclarecimentos e aprovou a intimação do fornecedor citado durante a audiência. O objetivo é aprofundar as investigações e identificar a origem das bebidas adulteradas.