Linha 17-Ouro do Metrô inicia operação e já tem expansão anunciada
Novo ramal liga Congonhas à rede e deve atender 100 mil passageiros por dia
A Linha 17-Ouro do Metrô começou a operar nesta terça-feira (31), ampliando a conexão do Aeroporto de Congonhas com o sistema metroferroviário da Região Metropolitana de São Paulo. O novo ramal se integra às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás e foi construído ao longo de 6,7 quilômetros. A estimativa é que, em plena operação, transporte cerca de 100 mil passageiros por dia.
O empreendimento recebeu investimento de R$ 5,97 bilhões. As obras haviam sido inicialmente previstas para 2014, mas passaram por paralisações ao longo dos anos. A retomada ocorreu em setembro de 2023, com a continuidade dos trabalhos até a conclusão atual.
Durante a cerimônia de entrega, também foi autorizada a expansão da linha em mais 4,6 quilômetros, com a construção de quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis. A ampliação deverá permitir a conexão com a Linha 4-Amarela e ampliar o alcance do sistema ferroviário para áreas ainda não atendidas.
Nesta fase inicial, a operação será parcial. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. No primeiro dia, excepcionalmente, o horário foi ampliado até as 20h. O serviço começa com dois trens em circulação, com intervalos estimados entre sete e 14 minutos, operando no formato de ida e volta pela mesma via.
A operação inicial é considerada transitória e tem como objetivo ajustar sistemas e monitorar o desempenho técnico da linha. A previsão é que, após essa etapa, o funcionamento seja ampliado gradualmente até atingir o horário completo, das 4h40 à meia-noite.
O trajeto inclui sete estações em funcionamento neste momento: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A estação Washington Luís ainda não foi incluída na operação inicial, pois sua ativação depende da ampliação da frota para manter intervalos adequados entre os trens. A expectativa é de que passe a operar nos próximos meses.
As estações foram projetadas com acessibilidade total, incluindo elevadores, escadas rolantes, pisos táteis e sinalização adaptada. Também contam com portas de plataforma e espaços para bicicletas, além de integração com ciclovias e outros modais de transporte, como ônibus, táxis e veículos por aplicativo.
As passarelas e acessos ao longo do trajeto seguem o mesmo horário de funcionamento da linha nesta etapa inicial. O acesso ao túnel de Congonhas e às passagens permanece liberado para pedestres em geral, independentemente do uso do sistema, facilitando a circulação na região e a travessia de vias importantes.
A frota será composta por 14 trens, cada um com capacidade para 616 passageiros. Parte das composições já está disponível no pátio operacional, enquanto outras ainda estão em transporte para o Brasil. A entrada em operação será gradual, acompanhando o aumento da demanda e os ajustes técnicos.
Os trens utilizam tecnologia automatizada, com operação sem condutor e controle por sistemas digitais. As composições possuem cinco carros interligados, ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de monitoramento e sistemas de segurança. Um diferencial é o uso de baterias internas que permitem o deslocamento em caso de falha no fornecimento de energia.
O modelo de monotrilho adotado foi escolhido por se adaptar ao traçado da Avenida Roberto Marinho, com estrutura elevada que reduz a necessidade de desapropriações e interfere menos no entorno urbano. A implantação também inclui melhorias urbanísticas, como áreas verdes e conexões cicloviárias.
De acordo com estimativas oficiais, o funcionamento da linha poderá reduzir a emissão anual de poluentes e gases de efeito estufa, além de diminuir o consumo de combustíveis ao incentivar a migração do transporte individual para o coletivo.