Deputada paulistana deixa Rede e vai para o PSB

Mudança ocorre em meio a disputa interna na Rede Sustentabilidade

Por Da Redação

Marina Helou anunciou nesta segunda-feira (9) sua saída

A deputada estadual Marina Helou anunciou nesta segunda-feira (9) sua saída da Rede Sustentabilidade e a filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). A parlamentar pretende disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pela nova sigla.

Helou foi uma das fundadoras da Rede no estado de São Paulo e participou da estruturação do partido no início de sua formação política. A legenda foi criada sob liderança da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de quem a deputada é aliada política desde o início de sua trajetória partidária.

Nos últimos meses, a Rede Sustentabilidade tem enfrentado uma disputa interna envolvendo duas correntes principais. De um lado está o grupo ligado à ministra Marina Silva; do outro, a ala associada à ex-senadora Heloísa Helena, que atualmente exerce influência significativa na direção nacional da legenda.

A divergência entre os grupos envolve temas como o controle da estrutura partidária, a condução estratégica da sigla e mudanças nas regras internas de funcionamento. O modelo organizacional da Rede prevê que a liderança seja exercida por porta-vozes, função equivalente à presidência em outros partidos. Nas eleições internas mais recentes, as duas correntes apoiaram chapas distintas para o comando da legenda.

No processo interno realizado em 2025, a ala vinculada a Heloísa Helena conquistou ampla maioria dos votos e passou a controlar a direção nacional do partido. Com isso, o grupo ligado a Marina Silva ficou em posição minoritária dentro da estrutura da sigla.

As diferenças entre as duas correntes também envolvem a postura política do partido em relação ao governo federal. Integrantes próximos a Marina Silva costumam adotar posição mais alinhada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Já o grupo liderado por Heloísa Helena tem defendido maior distanciamento e autonomia política da legenda em relação ao Executivo.

Esse cenário tem influenciado discussões sobre alianças eleitorais e posicionamento político para as eleições de 2026. A crise interna também levou Marina Silva a avaliar possíveis caminhos fora da Rede, incluindo conversas com diferentes partidos.

Entre as legendas mencionadas nas articulações políticas estão o PT, o próprio PSB e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Uma das possibilidades discutidas nos bastidores é a candidatura da ministra ao Senado por São Paulo em outra sigla.

As negociações também ocorrem em meio a tentativas de reaproximação com o PT, partido do qual Marina Silva se afastou após divergências durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

A mudança de partido de Marina Helou ocorre dentro do período da janela partidária, fase prevista na legislação eleitoral que permite a parlamentares trocar de legenda sem perda de mandato. O prazo atual se estende até o início de abril e costuma provocar rearranjos nas bancadas e alianças políticas em diferentes estados.