Nunes diz que vai recorrer sobre aborto no hospital

Justiça mandou retomar serviço em unidade da Zona Norte de SP

Por Da Redação

Hospital Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, localizado na Zona Norte da cidade

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira (6) que a administração municipal pretende recorrer da decisão da Justiça paulista que determinou a retomada do serviço de aborto legal no Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, localizado na Zona Norte da capital.

A declaração foi feita durante a inauguração de um parque municipal na Zona Leste da cidade. Na ocasião, o prefeito criticou a decisão judicial e disse que a organização dos serviços de saúde deve ser definida por critérios técnicos estabelecidos por profissionais da área médica.

Segundo Nunes, a Prefeitura não interrompeu a oferta de aborto legal na rede municipal de saúde. De acordo com ele, o atendimento que antes era realizado no hospital da Cachoeirinha foi transferido para outras unidades da capital. O prefeito afirmou que a mudança ocorreu por avaliação técnica de médicos e gestores da saúde, que consideraram necessário reorganizar os serviços para atender outras demandas do sistema público.

A administração municipal também argumenta que o hospital da Cachoeirinha possui estrutura considerada adequada para a realização de cirurgias ginecológicas e que havia grande fila de espera para procedimentos relacionados à endometriose. Por esse motivo, parte da estrutura da unidade teria sido direcionada para reduzir a demanda reprimida dessas cirurgias.

Segundo o prefeito, reorganizações desse tipo são comuns em uma rede pública de saúde de grande porte, que atende milhões de pessoas e possui centenas de equipamentos espalhados pela cidade. Ele também afirmou que, embora a prefeitura cumpra decisões judiciais, a gestão considera inadequado que questões médicas sejam definidas fora do âmbito técnico.

A decisão mais recente do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a determinação para que o serviço de aborto legal seja retomado no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. O recurso apresentado pelo município foi analisado pela 5ª Câmara de Direito Público da corte.

O serviço havia sido encerrado na unidade em dezembro de 2023. Antes disso, o hospital era considerado referência para a realização do procedimento em casos previstos em lei, como gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante ou diagnóstico de anencefalia fetal.

Em outubro do ano passado, a 9ª Vara da Fazenda Pública já havia condenado a prefeitura ao pagamento de multa de R$ 24,8 milhões por descumprimento de decisão judicial relacionada ao funcionamento do serviço. O valor corresponde a 497 dias de descumprimento da ordem, com penalidade diária estipulada em R$ 50 mil.

A ação judicial foi apresentada por parlamentares do PSOL e contou com documentos e relatos reunidos pela Defensoria Pública de São Paulo. O material indicava casos de pacientes que teriam enfrentado dificuldades para acessar o aborto legal na rede municipal.

A prefeitura argumentou no processo que o atendimento não deixou de existir, mas foi redistribuído entre outras unidades de saúde da cidade. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o procedimento passou a ser realizado em hospitais municipais localizados nos bairros do Tatuapé, Campo Limpo, São Miguel Paulista e Jardim Sarah.

A Procuradoria Geral do Município informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e que a administração ainda analisa as medidas jurídicas cabíveis após a decisão do tribunal.