Maior cafezal urbano do mundo na capital paulista recebe novas variedades para pesquisa

Plantio passa a reunir cerca de 3 mil pés usados em estudos de manejo e regeneração

Por Da Redação

Maior cafezal urbano do mundo, manejado pelo Instituto Biológico (IB-Apta).

O maior cafezal urbano do mundo, localizado na cidade de São Paulo, passou por uma nova etapa de renovação e ampliação voltada a pesquisas científicas. A área experimental, mantida pelo Instituto Biológico (IB-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebeu aproximadamente 900 novas mudas de café. As plantas pertencem às variedades Obatã Amarela, IAC RN 125 e IAC SH3, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC).

Com a incorporação das novas mudas, o espaço passa a reunir cerca de 3 mil plantas de diferentes cultivares. O local funciona como área experimental para pesquisas relacionadas à agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e métodos naturais de controle de pragas agrícolas. Os estudos realizados no local também buscam compreender como diferentes variedades de café se adaptam às condições ambientais de um grande centro urbano.

A renovação faz parte do processo de modernização do cafezal mantido na sede do instituto, situada na capital paulista. A atualização do plantio amplia as possibilidades de experimentação científica, permitindo comparar o desempenho de diferentes cultivares em sistemas de produção com menor impacto ambiental. Entre os objetivos está avaliar o comportamento das plantas em práticas agrícolas sustentáveis e identificar estratégias de manejo que favoreçam a saúde do solo e o equilíbrio ecológico.

Algumas das variedades introduzidas apresentam características que favorecem sistemas produtivos com menor uso de insumos químicos. A cultivar IAC RN 125, por exemplo, possui resistência a nematoides e à ferrugem do cafeeiro, duas das principais ameaças à produção da cultura. Por essa razão, ela é considerada adequada para sistemas de cultivo orgânico ou com manejo mais sustentável. Já a variedade IAC SH3 apresenta maior tolerância a períodos de déficit hídrico, característica relevante diante de cenários de mudanças climáticas e irregularidade no regime de chuvas.

Além das pesquisas agronômicas, o cafezal urbano também é utilizado para estudos sobre biodiversidade e controle biológico de pragas. A área tem sido monitorada para avaliar a presença de diferentes espécies de insetos benéficos, especialmente abelhas e abelhas nativas sem ferrão. Pesquisadores acompanham o aumento da diversidade desses polinizadores, que desempenham papel importante na manutenção dos ecossistemas e na produtividade agrícola.

Outro foco das pesquisas é a observação de inimigos naturais do bicho-mineiro, inseto considerado uma das principais pragas do cafeeiro no Brasil. A presença desses organismos auxilia no controle natural da população da praga, reduzindo a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas e contribuindo para sistemas de produção mais equilibrados.

O cafezal mantido pelo instituto também tem valor histórico. O Instituto Biológico foi criado em 1927 em resposta à crise causada pela broca-do-café, praga que afetou severamente a produção cafeeira paulista no início do século XX. Desde então, a instituição desenvolve pesquisas voltadas à sanidade vegetal e ao controle biológico de pragas agrícolas.

O plantio de café existente atualmente na sede do instituto foi implantado na década de 1950. Ao longo dos anos, o espaço foi transformado em um laboratório a céu aberto dedicado à experimentação agrícola. Atualmente, o local serve como modelo de produção baseado em princípios da agricultura regenerativa, que prioriza a recuperação da fertilidade do solo, o uso de matéria orgânica, a adubação verde e o incentivo à diversidade biológica.

Essas práticas buscam restaurar processos naturais do ecossistema agrícola, promovendo maior resiliência das lavouras e contribuindo para a sustentabilidade da produção. A combinação de pesquisa científica e práticas regenerativas também permite gerar conhecimento aplicável a propriedades rurais de diferentes regiões produtoras.

Além da função científica, o cafezal urbano também possui caráter educativo e de divulgação científica. O espaço recebe visitantes interessados em conhecer de perto as pesquisas desenvolvidas com o cafeeiro e entender melhor como práticas sustentáveis podem ser aplicadas na agricultura.

O cafezal está localizado na sede do Instituto Biológico, na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, no bairro da Vila Mariana, na cidade de São Paulo. As visitas são gratuitas e devem ser agendadas previamente por meio de formulário disponibilizado no perfil oficial do projeto nas redes sociais. O agendamento é necessário para organizar os grupos e garantir o acompanhamento das atividades educativas no local.