Marçal troca PRTB pelo União Brasil em SP
Ex-coach está inelegível e tenta reverter decisões na Justiça
Inelegível até 2032, o empresário e ex-coach Pablo Marçal anunciou nesta terça-feira (3) que deixará o PRTB para se filiar ao União Brasil em São Paulo. A formalização da entrada na nova legenda está prevista para sexta-feira (6), em evento na Vila Olímpia, na Zona Sul da capital paulista.
A expectativa de dirigentes do partido é que Marçal consiga reverter condenações na Justiça Eleitoral relacionadas à campanha pela Prefeitura de São Paulo em 2024 e, com isso, possa disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado nas eleições de outubro.
Durante a corrida eleitoral municipal, o empresário foi alvo de três decisões que resultaram em inelegibilidade. Duas delas ainda aguardam análise de recursos. A principal condenação trata do uso indevido dos meios de comunicação e do descumprimento de ordem judicial, o que levou à aplicação de multa de R$ 420 mil. O caso foi julgado em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e está pendente de recurso no Tribunal Superior Eleitoral.
Pelas regras da Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado torna o candidato inelegível por oito anos, ainda que haja possibilidade de recurso. A norma estabelece como marco inicial da inelegibilidade a decisão em segunda instância, com o objetivo de reforçar critérios de probidade no processo eleitoral.
Na Justiça comum, Marçal também foi condenado a pagar R$ 100 mil por danos morais ao deputado federal Guilherme Boulos, após a divulgação de um laudo considerado falso durante a campanha de 2024. Na esfera eleitoral, ambos firmaram acordo para suspender por dois anos o andamento de ação que trata do mesmo episódio. Após esse período, o processo poderá ser retomado, com possibilidade de nova decisão sobre inelegibilidade.
Outro entendimento judicial envolveu o apresentador José Luiz Datena, atualmente filiado ao PSDB. As partes chegaram a acordo para encerrar processos mútuos abertos após um episódio de agressão ocorrido em debate televisivo naquele ano.
A campanha de 2024 foi marcada por embates judiciais, confrontos verbais e episódios de tensão. Marçal recebeu mais de 1,7 milhão de votos no primeiro turno, mas não avançou à etapa final. A disputa foi decidida entre Ricardo Nunes, que venceu o pleito, e Guilherme Boulos.
