Estudo aponta limite de público no Ibirapuera e Consolação

Relatório encomendado pela prefeitura recomenda descentralizar blocos

Por Da Redação

Circuito do Ibirapuera, comporta até 290 mil pessoas simultaneamente

Um estudo contratado pela Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) em 2021 estabeleceu a capacidade máxima simultânea de público nos principais circuitos do carnaval de rua de São Paulo e indicou parâmetros de infraestrutura para atender os foliões. O levantamento foi elaborado pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), entidade vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), ao custo de R$ 430.222,24.

O relatório foi encomendado ainda na gestão Bruno Covas e entregue no primeiro ano da administração de Ricardo Nunes. O documento detalha limites de ocupação para diferentes regiões da cidade e recomenda a descentralização de grandes blocos, além da criação de novos circuitos, como forma de reduzir riscos associados à superlotação.

De acordo com o estudo, o circuito do Parque Ibirapuera, na Zona Sul, comporta até 290 mil pessoas simultaneamente. A estimativa contrasta com números divulgados pelas forças de segurança em eventos recentes. No último fim de semana, durante apresentação da cantora Ivete Sangalo, a Polícia Militar estimou público de 1,2 milhão de pessoas no local.

Já o circuito da Rua da Consolação, na região central, teria capacidade máxima de 365 mil foliões ao mesmo tempo, segundo a FDTE. O trecho foi apontado como o de maior potencial de concentração de público na capital. No domingo (8), a via registrou episódios de tumulto, relatos de superlotação e confrontos entre frequentadores.

Em declarações públicas, o governador Tarcísio de Freitas mencionou público de 1,5 milhão de pessoas no bloco Baixo Augusta e no evento comandado pelo DJ Calvin Harris no mesmo dia.

A Prefeitura de SP disse que promoveu adequações na infraestrutura do carnaval de rua para otimizar a operação do evento, mantendo o padrão de organização das edições anteriores.

O levantamento da FDTE também calculou a capacidade total dos 22 polos de cortejo existentes à época da pesquisa. Segundo o estudo, esses circuitos poderiam reunir até 2,88 milhões de pessoas por dia de apresentações. Considerando os oito dias de programação oficial financiada pelo município, a estimativa apresentada em 2021 indicava potencial de até 14 milhões de foliões ao longo do período.

Para 2026, a administração municipal projeta público ainda maior. A previsão é de que ao menos 16,5 milhões de pessoas participem dos 627 cortejos oficiais programados para o pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval na capital.

Além da capacidade de público, o estudo técnico também estabeleceu parâmetros mínimos de infraestrutura sanitária. A recomendação é de um banheiro químico para cada grupo de 900 pessoas. Aplicando esse critério à estimativa atual de 16,5 milhões de participantes ao longo dos oito dias, seriam necessários ao menos 18.333 banheiros químicos para atender a demanda mínima projetada.