Prefeitura libera bloco e descumpre própria regra
Megabloco no pré-Carnaval teve tumulto na Consolação
A Prefeitura de São Paulo autorizou o desfile de um megabloco no pré-Carnaval deste ano apesar de regra prevista em documento oficial que proíbe a inclusão de novas agremiações nesse período. A decisão ganhou repercussão após o evento registrar tumulto, desmaios e atos de vandalismo na Rua da Consolação, na região central da capital, no último domingo.
O “Guia de Regras e Orientações do Carnaval de Rua de 2026”, publicado em setembro de 2025, estabelece que não seriam aceitas novas inscrições para os períodos de pré e pós-Carnaval em nenhuma região da cidade. A norma indica que, nessas datas, apenas blocos já aprovados em anos anteriores poderiam desfilar.
Mesmo com essa diretriz, um bloco patrocinado por uma marca de cerveja foi incluído na programação do domingo que antecedia o Carnaval. A apresentação foi liderada pelo DJ escocês Calvin Harris e ocorreu antes do tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta, que realiza seu desfile de pré-Carnaval há 17 anos e costuma reunir mais de 1 milhão de pessoas.
Além do DJ internacional, o megabloco contou com shows de Nattan, Xand Avião, Zé Vaqueiro e Felipe Amorim. A presença de grande público provocou superlotação na via, levando ao acionamento do plano de contingência da administração municipal. Durante o evento, foram registrados empurra-empurra, pessoas passando mal e danos a estruturas na região.
Grades da Escola Paulista da Magistratura, localizada na Consolação, foram danificadas em meio à aglomeração. Segundo a prefeitura, seis pessoas receberam atendimento médico e foram encaminhadas a hospitais próximos, já tendo sido liberadas. A gestão municipal informou que o bloco foi acompanhado por milhares de foliões e que as medidas previstas para situações de emergência foram adotadas.
Na segunda-feira, a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital instaurou sindicância para apurar as circunstâncias da autorização do desfile e os impactos causados à região.
Antes da realização do evento, a vereadora Marina Bragante (Rede) havia protocolado pedido de informações à prefeitura manifestando preocupação com a estrutura montada para os desfiles na Consolação, considerando o porte dos blocos previstos para a data. Em resposta, o Executivo afirmou que adotaria medidas de segurança e logística adequadas.
Questionada sobre a autorização do megabloco diante da regra estabelecida no guia oficial, a prefeitura não respondeu diretamente ao ponto. Após os incidentes, informou que pretende reforçar o esquema para os próximos dias de festa, com reposicionamento de postos de atendimento médico e criação de novas áreas de dispersão na região do Ibirapuera, a fim de facilitar a circulação do público. A empresa patrocinadora do evento não se manifestou sobre o caso.