Capitão da PM preso integrava segurança da Câmara de SP

Oficial atuava no Legislativo desde 2014 e foi alvo da Corregedoria

Por Da Redação

Câmara Municipal informou que não há registros de irregularidades

Um capitão da Polícia Militar preso na manhã desta quarta-feira (4) durante uma operação da Corregedoria da corporação atuava na equipe responsável pela segurança da presidência da Câmara Municipal de São Paulo. O oficial está entre três policiais detidos sob suspeita de envolvimento em um esquema de escolta irregular ligada a uma empresa investigada por conexão com o PCC.

De acordo com informações da presidência da Câmara, o capitão integrava a Assessoria Policial Militar da Casa desde outubro de 2014. Nesse período, o oficial permaneceu na função durante cinco diferentes gestões da presidência do Legislativo paulistano.

A Câmara Municipal informou que não há registros de irregularidades relacionadas à atuação do capitão nas atividades desempenhadas dentro da Assessoria Militar. O órgão destacou que os serviços prestados pelo policial no âmbito do Legislativo não apresentaram apontamentos que o desabonassem. Dados internos indicam que, em 2023, a Assessoria Policial Militar da Câmara contava com 24 policiais militares. Atualmente, segundo a Casa, o efetivo é composto por 26 PMs destacados para funções de segurança institucional.

A prisão do capitão ocorre no contexto de investigações que apuram a atuação de policiais militares em serviços de segurança privada considerados irregulares. Em 2024, um relatório do Ministério Público apontou que dirigentes da Transwolff, empresa de transporte coletivo sob suspeita de ligação com o PCC, contavam com escolta feita por policiais da Rota. À época, o documento não atribuía crimes diretamente aos agentes.

O capitão e os outros dois policiais presos são investigados pela suspeita de realizar escolta do proprietário e de um diretor da Transwolff de forma não autorizada. As apurações indicam que o trabalho teria sido feito fora das atribuições oficiais e, em tese, durante períodos de folga, o que configura infração às normas internas da corporação e pode gerar sanções administrativas e criminais.

O governo estadual informou que a análise de materiais compartilhados pelo Ministério Público apontou a participação direta dos policiais na segurança de pessoas investigadas e alvos da Operação Fim da Linha. Mensagens interceptadas com autorização judicial indicam que ao menos seis PMs atuavam no esquema, com o capitão preso exercendo possível papel de coordenação do grupo e tratando de valores pagos aos agentes.

A Transwolff afirmou repudiar qualquer tentativa de associação com organizações criminosas e declarou não haver fundamento nas acusações de envolvimento da empresa, de seus representantes ou dos policiais citados em atividades ilícitas.