Corregedoria prende PMs suspeitos serem seguranças de dono da Transwolff

Policiais teriam protegido empresário do transporte ligado ao PCC

Por Da Redação

133 linhas de ônibus eram operadas pela Transwolff em SP

A Corregedoria da Polícia Militar prendeu, nesta quarta-feira (4), três policiais militares suspeitos de prestar segurança privada ao proprietário da empresa de ônibus Transwolff, apontado em investigações como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação faz parte de uma apuração que investiga o envolvimento de agentes públicos com organizações criminosas.

Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de R$ 1 milhão em dinheiro na residência de um dos policiais presos. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária. Um dos alvos também exercia funções na assessoria militar da Câmara Municipal de São Paulo. Até o momento, os nomes dos presos não foram divulgados.

Segundo a investigação, os policiais teriam realizado segurança privada entre 2020 e 2024 para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, dono da Transwolff, e para Cícero de Oliveira, apelidado de Té. Ambos são citados nos autos como ligados à facção criminosa.

A Transwolff e a empresa UPBus foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC no setor de transporte coletivo. De acordo com o MP, os recursos usados para ampliar o capital da Transwolff podem ter origem ilícita, possivelmente vinculada a atividades da facção.

As apurações indicam o uso de empresas de fachada, “laranjas” e CNPJs irregulares para ocultar a origem dos valores, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro. Diante das suspeitas, foi aberto um processo administrativo para rescindir os contratos das duas empresas em dezembro de 2024.

A defesa da Transwolff nega qualquer ligação com o crime organizado, afirma que não há comprovação de atividades ilícitas e informa que pretende contestar as medidas na Justiça.