Novo Bahamas aposta em experiências e mira salto em 2026
Filhos de Oscar Maroni reposicionam a marca com shows, delivery e gestão moderna
O Bahamas Hotel Club, um dos endereços mais conhecidos da noite paulistana, inicia um novo ciclo após mais de 30 anos de atuação. O negócio, criado por Oscar Maroni e marcado por um modelo concentrado no entretenimento adulto, passa agora por um amplo reposicionamento conduzido pela segunda geração da família. A estratégia mira diversificação de receitas, profissionalização da gestão e ampliação do público, com uma meta clara: crescer 50% ao longo de 2026.
A liderança do processo está nas mãos de Aratã Maroni, que assumiu o comando após a piora do estado de saúde do pai e seguiu à frente depois de sua morte, no fim de 2025. Dois de seus irmãos, Aruã e Acauã, também participam da gestão. A irmã, Aritana, optou por atuar fora do negócio. A mudança não é apenas administrativa, mas conceitual. A proposta é transformar o Bahamas em um espaço de experiências múltiplas, combinando entretenimento, música ao vivo e gastronomia.
A transição começou ainda em 2023 e teve como ponto de partida uma revisão profunda da estrutura interna. O modelo anterior, baseado em decisões altamente centralizadas, deu lugar a processos mais distribuídos, com novas lideranças, rotinas mais claras e uso intensivo de tecnologia na gestão administrativa. Hoje, a operação conta com cerca de 38 funcionários fixos e uma rede extensa de prestadores de serviço, em um formato considerado mais eficiente e escalável.
Com a casa arrumada, a gestão partiu para um reposicionamento de mercado. A comunicação foi ajustada para dialogar com um público mais específico, interessado em experiências completas e disposto a gastar mais. O foco deixou de ser volume e passou a ser valor. Esse movimento se refletiu diretamente no tíquete médio, que saltou para a faixa dos R$ 600 por noite, bem acima do patamar histórico do clube.
A mudança também aparece no funcionamento diário do espaço. O Bahamas passou a operar ao longo de todo o dia, com propostas diferentes conforme o horário. Durante o almoço, o local assume perfil de restaurante. No fim da tarde, entra no circuito de happy hour e transmissões esportivas. À noite e na madrugada, mantém sua vocação histórica, agora integrada a uma programação musical mais robusta. A lógica é ampliar o tempo de permanência do cliente e disputar públicos distintos dentro do mesmo endereço.
Para viabilizar essa nova fase, o grupo investiu cerca de R$ 3 milhões no último ano. Parte relevante dos recursos foi destinada à reforma do subsolo, tradicionalmente associado à operação noturna, além da reconfiguração do térreo, que passou a concentrar o restaurante e o bar. O cardápio foi reformulado, com foco em melhor execução e produtos mais alinhados à proposta da casa, sem a pretensão de competir com restaurantes de alta gastronomia.
A agenda de shows se tornou um dos principais motores de crescimento. Artistas sertanejos, bandas e atrações especiais passaram a ocupar espaço central na programação, ajudando a atrair novos públicos e a fidelizar clientes. A música deixou de ser um complemento e passou a funcionar como pilar estratégico, especialmente em períodos de maior fluxo turístico e eventos corporativos na cidade.
Datas como grandes feiras internacionais, Fórmula 1 e encontros empresariais passaram a ser exploradas de forma mais planejada, com picos de demanda e faturamento. O aumento do número de estrangeiros em São Paulo, impulsionado pelo câmbio, também já se reflete no perfil dos frequentadores, segundo a gestão.
Outra frente relevante é a expansão da marca para além do endereço físico. O lançamento do Bahamas Burger Club marcou a entrada do grupo no segmento de delivery premium de hambúrgueres. A iniciativa funciona tanto como nova fonte de receita quanto como estratégia de fortalecimento da marca, levando o nome Bahamas para a casa de consumidores que ainda não frequentam o clube. No radar estão novos projetos ligados à gastronomia e ao lifestyle.
O cenário projetado para 2026 é considerado favorável. Copa do Mundo, eleições, feriados prolongados e uma agenda cheia de eventos em São Paulo aumentam a previsibilidade de fluxo e criam oportunidades de ativação. A expectativa é elevar a média diária de faturamento a partir da soma de diferentes frentes: shows, eventos, operação em múltiplos turnos e novos canais de venda.
Sem romper com a história que construiu sua reputação, o Bahamas entra em uma fase marcada por menos improviso e mais método. A transição geracional redefine o posicionamento do negócio e busca garantir competitividade em um mercado cada vez mais orientado à experiência, à curadoria e à diversificação.