Pesquisa da Ufac mapeia áreas queimadas no Acre
Levantamento usa imagens de satélite para medir áreas atingidas pelas chamas
Um relatório de pesquisa da Universidade Federal do Acre (Ufac) mapeou as cicatrizes de queimadas no Acre e analisou as áreas atingidas pelo fogo.
O trabalho foi elaborado por pesquisadores do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (LabGama), com imagens dos satélites Landsat 8/9 e Sentinel-2.
O levantamento usa imagens de média e alta resolução para identificar áreas afetadas e diferenciar vegetação e solo. Landsat 8/9 usa pixels de 30 metros, e Sentinel-2, de 20 metros. O mapeamento é realizado a cada 15 dias e identifica áreas a partir de 0,5 hectare.
O método permite medir a extensão das áreas queimadas e diferenciar o uso do fogo no manejo agrícola e de pastagens dos incêndios florestais que avançam sobre áreas de mata. A pesquisa aponta que a falta de regularização fundiária favorece o desmatamento ilegal e a grilagem, em regiões de difícil acesso.
O estudo informa que o Acre mantém cerca de 85% de sua cobertura florestal nativa. Em Acrelândia, Plácido de Castro e Senador Guiomard, porém, a cobertura remanescente é inferior a 30%. No interior, áreas queimadas com mais de 10 hectares em Feijó, Tarauacá e Mâncio Lima estão ligadas ao desmatamento recente e ao manejo de pastagens. Essa categoria responde por 60% das queimadas no estado.
Em projetos de assentamento e unidades de conservação extrativista, o uso recorrente do fogo está relacionado ao acesso limitado a tecnologias agrícolas alternativas e à assistência técnica contínua. As chuvas do período estivo distribuíram a ocorrência do fogo e evitaram picos severos de poluição atmosférica.
O estudo também aponta irregularidade das chuvas, com risco de alagamentos e transbordamento de rios. Para avaliar a distribuição das queimadas, a equipe cruzou as áreas identificadas com bases fundiárias oficiais do Ministério do Meio Ambiente, Fundação Nacional dos Povos Indígenas e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
O cruzamento mostrou que 54% das áreas queimadas no Acre estão em terras públicas e imóveis rurais sem destinação estabelecida.